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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Guerras por procuração





   Armar a contragosto facções rebeldes para forçar Bashar al Assad a negociar um cessar-fogo e um acordo político que pacifique a Síria é um erro táctico a que Obama se conformou para aplacar pressões intervencionistas em Washington e que acabará por agudizar a guerra civil.

   Só o fornecimento de grandes quantidades de armas, incluindo mísseis anti-aéreos, poderia reforçar significativamente a capacidade militar do "Exército Livre Sírio" sob o comando de Salim Idriss, o general sunita que desertou há um ano e em que Washington aposta.

   Financiar e armar com parcimónia é ineficaz, acarreta custos políticos desproporcionados e mesmo assim o treino de combatentes e o controlo da distribuição de armas obrigará a uma maior presença no terreno de assessores militares e agentes secretos norte-americanos, britânicos e franceses.

   O desvio de armamento para forças indesejáveis aos olhos das potências ocidentais e da Turquia, mas apoiadas pela Arábia Saudita e o Qatar, é inevitável tanto mais que frentes islamitas radicais como "Ahrar al Sham" combatem em aliança ora com outros grupos islamitas do "Exército Livre Sírio", ora com os jihadistas da "Jahabat al Nusra".

   A criação de zonas seguras, sob o pretexto de protecção humanitária, pressupõe a imposição unilateral de zonas de exclusão aérea no Norte, a partir da Turquia, e no Sul, com bases na Jordânia, que darão pretexto à Rússia e ao Irão para aumentar as vendas de armas a Damasco.

   Zonas de exclusão aéreas implicam confrontos directos com forças governamentais muito para além das áreas destinadas a protecção e acarretam riscos de escalada militar regional e internacional.

  A alegada utilização pontual de armas químicas pelas forças fiéis a al Assad, pretexto em Washington, Paris e Londres para apoio militar directo a grupos da oposição, continua, entretanto, a gerar polémica.

   As divergências patentes na cimeira do G8 tornam claro que o confronto com russos e chineses no Conselho de Segurança dificultará uma eventual operação internacional com apoio da ONU caso se revele necessário intervir para neutralizar arsenais de armas químicas.

   Múltiplas e antagónicas forças integram frentes de oposição não-jihadistas – "Coligação Nacional", "Conselho Nacional", "Comité Nacional de Coordenação", "Exército Livre" – sem que ao terceiro ano de guerra tenham acordado um programa político mínimo para negociação com al Assad ou como plataforma de transição no caso de renúncia ou morte do líder alauíta.

   Num país ameaçado pela partilha territorial a entrada em combate ao lado das forças governamentais do "Hizballah" libanês acentuou o cunho étnico-religioso do conflito, seguindo-se a ruptura entre Damasco e o Cairo com o presidente Al Nusri a dar corpo a apelos de líderes dos "Irmãos Muçulmanos" para a criação de uma frente alargada sunita contra os apoiantes xiitas do herético regime alauíta.

   Os recentes ganhos das tropas de al Assad – a captura de Al Qusair consolidou o domínio dos acessos ao Líbano e às regiões costeiras – indiciam novas ofensivas governamentais para controlo das principais cidades, sobretudo de Aleppo, remetendo os opositores para regiões do Norte e Leste do país.

   Um pacto informal de não-agressão com as milícias curdas no nordeste permitirá, eventualmente, neutralizar mais uma ameaça ao regime que conseguiu estancar deserções militares e mobilizar novos contigentes de combate, ante grupos oposicionistas com desigual capacidade de combate e que carecem de coordenação.

   O ascendente militar de al Assad vai a par do temor pelas depredações e ameaças de grupos salafistas jihadistas que é cada vez maior entre as minorias cristã, druza, ismaialita, curda, e motivo de apreensão para muitos sunitas.

   A guerra civil síria é um conflito generalizado em que clivagens políticas são fortemente marcadas pelas identidades étnico-religiosas e vê agora acentuar-se o confronto por procuração.

   Sunitas anti-al Assad, salafistas do universo da jihad, potências ocidentais em busca de aliados ou clientes, confrontam-se com iranianos e russos, ante a não-interferência interessada de Israel apostada na debilitação de um estado rival e a crítica de chineses, indianos ou brasileiros ao unilateralismo intervencionista de Washington.

   Armar a contragosto facções rebeldes para forçar Bashar al Assad a negociar um cessar-fogo e um acordo político que pacifique a Síria é um erro táctico a que Obama se conformou para aplacar pressões intervencionistas em Washington e que acabará por agudizar a guerra civil.

   Só o fornecimento de grandes quantidades de armas, incluindo mísseis anti-aéreos, poderia reforçar significativamente a capacidade militar do "Exército Livre Sírio" sob o comando de Salim Idriss, o general sunita que desertou há um ano e em que Washington aposta.

   Financiar e armar com parcimónia é ineficaz, acarreta custos políticos desproporcionados e mesmo assim o treino de combatentes e o controlo da distribuição de armas obrigará a uma maior presença no terreno de assessores militares e agentes secretos norte-americanos, britânicos e franceses.

  O desvio de armamento para forças indesejáveis aos olhos das potências ocidentais e da Turquia, mas apoiadas pela Arábia Saudita e o Qatar, é inevitável tanto mais que frentes islamitas radicais como "Ahrar al Sham" combatem em aliança ora com outros grupos islamitas do "Exército Livre Sírio", ora com os jihadistas da "Jahabat al Nusra".

   A criação de zonas seguras, sob o pretexto de protecção humanitária, pressupõe a imposição unilateral de zonas de exclusão aérea no Norte, a partir da Turquia, e no Sul, com bases na Jordânia, que darão pretexto à Rússia e ao Irão para aumentar as vendas de armas a Damasco.

  Zonas de exclusão aéreas implicam confrontos directos com forças governamentais muito para além das áreas destinadas a protecção e acarretam riscos de escalada militar regional e internacional.

  A alegada utilização pontual de armas químicas pelas forças fiéis a al Assad, pretexto em Washington, Paris e Londres para apoio militar directo a grupos da oposição, continua, entretanto, a gerar polémica.

  As divergências patentes na cimeira do G8 tornam claro que o confronto com russos e chineses no Conselho de Segurança dificultará uma eventual operação internacional com apoio da ONU caso se revele necessário intervir para neutralizar arsenais de armas químicas.

  Múltiplas e antagónicas forças integram frentes de oposição não-jihadistas – "Coligação Nacional", "Conselho Nacional", "Comité Nacional de Coordenação", "Exército Livre" – sem que ao terceiro ano de guerra tenham acordado um programa político mínimo para negociação com al Assad ou como plataforma de transição no caso de renúncia ou morte do líder alauíta.

  Num país ameaçado pela partilha territorial a entrada em combate ao lado das forças governamentais do "Hizballah" libanês acentuou o cunho étnico-religioso do conflito, seguindo-se a ruptura entre Damasco e o Cairo com o presidente Al Nusri a dar corpo a apelos de líderes dos "Irmãos Muçulmanos" para a criação de uma frente alargada sunita contra os apoiantes xiitas do herético regime alauíta.

  Os recentes ganhos das tropas de al Assad – a captura de Al Qusair consolidou o domínio dos acessos ao Líbano e às regiões costeiras – indiciam novas ofensivas governamentais para controlo das principais cidades, sobretudo de Aleppo, remetendo os opositores para regiões do Norte e Leste do país.

   Um pacto informal de não-agressão com as milícias curdas no nordeste permitirá, eventualmente, neutralizar mais uma ameaça ao regime que conseguiu estancar deserções militares e mobilizar novos contigentes de combate, ante grupos oposicionistas com desigual capacidade de combate e que carecem de coordenação.

   O ascendente militar de al Assad vai a par do temor pelas depredações e ameaças de grupos salafistas jihadistas que é cada vez maior entre as minorias cristã, druza, ismaialita, curda, e motivo de apreensão para muitos sunitas.

   A guerra civil síria é um conflito generalizado em que clivagens políticas são fortemente marcadas pelas identidades étnico-religiosas e vê agora acentuar-se o confronto por procuração.

   Sunitas anti-al Assad, salafistas do universo da jihad, potências ocidentais em busca de aliados ou clientes, confrontam-se com iranianos e russos, ante a não-interferência interessada de Israel apostada na debilitação de um estado rival e a crítica de chineses, indianos ou brasileiros ao unilateralismo intervencionista de Washington.

Jornal de Negócios
19 Junho 2013
http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/joao_carlos_barradas/detalhe/guerras_por_procuracao_na_siria.html#.UcLJnTvtORU.facebook

domingo, 16 de setembro de 2012

Um Iraque ainda demasiado perigoso

Rumaila
   O primeiro concurso para a exploração de petróleo e gás no Iraque desde a nacionalização de 1972 ficou marcado pelas cautelas e reticências da maior parte das empresas estrangeiras.

   O consórcio da British Petroleum e da China National Petroleum Co. aceitou os termos estabelecidos pelo governo de Bagdade para a exploração das jazidas de Rumaila, as maiores do país, que têm 17,8 mil milhões de barris em reservas provadas.

   A troco de um prémio de 2 dólares por barril a partir do momento em que a produção passe do nível actual de 1,1 milhões de barris/dia para mais de 1,75 milhões de barril/dia, o contrato de serviços aceite pelo consórcio para a maior das jazidas iraquianas não é particularmente atractivo, mas abre a porta para uma presença lucrativa em futuros concursos.

  Para além da única arrematação conclusiva entre as seis jazidas petrolíferas e dois campos de gás em leilão, é significativo que nenhuma das 35 empresas aceites a concurso tenha apresentado propostas para o gás de Mansuryia.

   Situada na província de Dyiala, uma das mais violentas do Iraque, a jazida tem uma capacidade potencial de produção de 330 milhões de metros cúbicos/dia, mas os riscos de investimento num contrato de prestação de serviços afastaram investidores.

                            Grandes reservas e imensas dúvidas

   Numa indústria em que 80% das reservas mundiais provadas de petróleo são controladas por empresas estatais, a abertura do Iraque a investidores estrangeiros é uma oportunidade única, sobretudo quando no final deste ano forem a concurso jazidas nunca exploradas.

   As metas estabelecidas pelo governo de Bagdade de aumentar a actual produção de 2,4 milhões de barris/dia (ainda abaixo da média de 2,7 milhões de barris/dia nas já pouco favoráveis condições de exploração dos anos 2001/2002) para mais de 4 milhões de barris/dia nos próximos cinco anos são, muito provavelmente, pouco credíveis.

   As reservas provadas do Iraque, as terceiras maiores do mundo após a Arábia Saudita e o Irão, cifram-se em 115 mil milhões de barris, mas o desinvestimento e a delapidação de estruturas que se registavam antes da invasão de 2003 e se agravaram subsequentemente não permitem uma rápida exploração destes recursos.

   As condições de investimento não se mostram particularmente propícias por não permitirem, nomeadamente, que as empresas estrangeiras averbem as suas quotas de hidrocarbonetos iraquianos nos activos, os actuais contratos a leilão, com duração de 20 anos, são contestados por grande número de parlamentares em Bagdade e as próximas eleições legislativas de Janeiro poderão obrigar a uma revisão dos acordos.

   Os partidos iraquianos não chegaram a consenso sobre os termos de exploração e repartição dos lucros dos hidrocarbonetos e arrasta-se o diferendo entre Bagdade e o governo regional do Curdistão, agravado pela indefinição do estatuto de Kirkuk, reivindicada por curdos, árabes e turcomenos.

   As principais empresas internacionais evitaram até agora assinar contratos de exploração no Curdistão, não reconhecidos pelo governo central, apesar das boas condições de segurança e baixos custos operacionais.

                                     Incerteza no investimento

   Esperar para ver como o governo central vai gerir a segurança nos centros urbanos depois da retirada das forças de combate norte-americanas é o teste crucial dos próximos meses, que condicionará quaisquer perspectivas de investimento.

   O primeiro-ministro, Nuri Al Maliki, afirma que os cerca de 700 mil homens das forças de segurança e do exército iraquianos são capazes de evitar confrontos entre as comunidades rivais, prevenir actos terroristas e fazer cumprir o acordo para a retirada do contingente de 130 mil militares dos Estados Unidos até ao final de 2011.

   A forte presença xiita nas forças militares e policiais é, no entanto, vista com desconfiança nas regiões centrais de maioria sunita e as forças autónomas curdas mantêm o controlo no Norte do país, nas suas províncias de Erbil, Suleymanyia e Dehook.

   Um eventual recrudescer da violência (cerca de 1.800 mortos desde o início deste ano, ainda assim, três vezes menos vítimas do que em igual período de 2008) seria um fracasso fatal para as ambições de Al Maliki e poria em causa o acordo de retirada firmado com George W. Bush em Novembro de 2008.

   Numa fase de transição em que os imponderáveis do Irão pesam sobre o destino do Iraque, nem mesmo os cobiçados gás e petróleo são um investimento garantido.



Jornal de Negócios
01 Julho 2009

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domingo, 9 de setembro de 2012

O Iraque depois do fracasso

Iraqis view burnt and damaged vehicles, after a suicide car bomb attack, in Kirkuk, 290 kilometers (180 miles) north of Baghdad, Iraq, Sunday Sept.17, 2006.

A series of five bomb attacks including two suicide car bombings in the northern city of Kirkuk Sunday left more than 20 people dead and nearly 80 wounded, police said.

Picture: AP/Yahya AhmedKirkuk, 17 Setembro 2006

  A amplitude da derrota republicana nas eleições do próximo mês determinará os termos da revisão da política norte-americana face ao Iraque, mas o fracasso estratégico de Washington é já uma realidade incontornável.

   O reforço da presença militar norte-americana em Bagdade, iniciado em Junho para tentar controlar a violência sectária na capital, não produziu resultados e a insegurança continua a aumentar nas províncias sunitas ao mesmo tempo que eclodem confrontos entre milícias xiitas.

   As rivalidades étnicas e as conivências com as diversas milícias impossibilitam que as forças policiais e militares iraquianas se assumam como garante de segurança, tornando vãs as promessas do governo central de controlar directamente metade das 18 províncias do país dentro de um ano.

   Seis meses após ter assumido o cargo de primeiro-ministro, o xiita Nuri al Malik é incapaz de assegurar o mínimo de consenso que permita dar corpo ao plano de reconciliação nacional ao mesmo tempo que as autoridades centrais não conseguem prover serviços básicos de fornecimento de electricidade e água, cuidados de saúde e saneamento.

   Todos os esforços de investimento e reconstrução estão condicionados pela deterioração das condições de segurança que provocaram mais de meio milhão de mortes nos últimos três anos e pelas deslocações de população que já levaram 1,6 milhões de iraquianos a deixar o país e condenaram outro milhão e meio à situação de refugiados internos.

  As recentes negociações encetados pelos militares norte-americanos com líderes tribais e grupos de guerrilheiros sunitas, excluindo, segundo as primeiras indicações apenas as facções ligadas à Al Qaeda – que representam menos de 10 por cento dos cerca de 20 a 40 mil insurrectos activos nas províncias ocidentais e no centro do Iraque – estão condenadas ao fracasso à medida que se acentua a preponderância das milícias xiitas do Exército do Mahdi, liderado por Moqtada Sadr, e da Organização Badr, o braço armado do "Conselho Supremo para a Revolução Islâmica".

                                 Bancarrota dos acordos políticos

   As garantias dadas este ano pelo embaixador norte-americano Zalmay Khalizad a líderes sunitas de que uma eventual reorganização administrativa implicaria uma partilha equitativa das receitas petrolíferas e o direito de veto sobre questões essenciais de segurança, relações externas e representação política caíram por terra.

   Os partidos xiitas impõem a sua lei no sul do país e nas áreas de maioria xiita de Bagdade e as regiões curdas praticamente não reconhecem a autoridade do governo central, reservando-se o direito de secessão.

   A estabilidade da região norte de maioria curda está, no entanto, sujeita a vagas periódicas de atentados terroristas sobretudo em Kirkuk, a sua capital petrolífera, disputada por curdos, árabes sunitas e xiitas, cristãos e turcomenos.

   Na inexistência de condições para a consolidação de um governo central que, através de um pacto de federação e suportado por um exército fiável e eficaz, possa impor a sua autoridade política e administrativa a todo o país, a discussão de calendários de retirada dos 140 mil militares norte-americanos e dos 7200 britânicos acantonados na região de Bassorá apenas agrava as dissensões étnicas.

   A proliferação de poderes locais e regionais de base clânica, tribal e étnica, bem como a multiplicação de bandos criminosos armados, é uma consequência irreversível a médio prazo da dissolução do estado central dominado pelos sunitas na era de Saddam Hussein e nenhuma potência exterior está em condições de impor os termos de uma eventual partilha do país.

   Mesmo um improvável acordo de princípio entre os Estados Unidos e o Irão sobre o estatuto da maioria xiita num estado independente ou como entidade preponderante num estado unitário ou federal não garantiria o termo das rivalidades entre as diversas facções xiitas, pouco propensas, aliás, a aceitar a tutela persa, e confrontar-se-ia com a oposição das restantes comunidades.

                                   Partilhas sangrentas

   Uma partilha do Iraque em três entidades, concedendo "grosso modo" as províncias do norte aos curdos, as regiões centrais aos sunitas e o sul aos xiitas, seguindo o modelo de administração otomano, implicaria um banho de sangue entre os sete milhões de habitantes de Bagdade e uma sistemática limpeza étnica de contornos tão selváticos quanto a divisão do Raj em 1947.

   Tal cenário seria agravado, ao contrário do que aconteceu com as independências da Índia e do Paquistão, pela forte possibilidade de intervenção das potências vizinhas, nomeadamente da Turquia temerosa de um eventual estado curdo independente, dos países de maioria sunita, como a Jordânia ou a Arábia Saudita e, naturalmente, do Irão, além de poder fazer perigar o domínio dos alauítas na Síria.

   Outra forma de partilha segundo o modelo confessional que vingou no Líbano a partir dos anos quarenta é inviável dado o passado recente de violência extrema e a desproporção entre as diversas comunidades: cerca de 65 por cento de xiitas, 20 por cento de sunitas, percentagem similar de curdos, além de minorias turcomenas e assírios, entre outras, entre os 27 milhões de habitantes do país.

   A incapacidade do exército (cerca de 130 mil homens) e das forças policiais (aproximadamente 150 mil efectivos) demonstrarem unidade e eficácia – o que, simultaneamente, afasta a tradicional solução do poder ditatorial de junta militar ou homem-forte -, bem como a existência de potências vizinhas com interesses divergentes quanto à estabilização e, sobretudo, neutralização do Iraque, tornam, também, irrelevante a opção do modelo confessional libanês.

   Ante o paradoxo da presença militar estrangeira ser factor de conflito e, simultaneamente, único freio à guerra civil aberta e generalizada, Washington e Londres estão, agora, sem condições políticas para reforçar os seus efectivos – uma iniciativa que, de qualquer modo, nesta fase já não conseguiria evitar a erosão do estado iraquiano – e condenadas a procurar formas de retirada a curto prazo.

                                     Sem margem de manobra

   A oposição das opiniões públicas na Grã-Bretanha, na Austrália (parceiro menor com cerca de 1 400 militares) e, mais recentemente, nos Estados Unidos, à continuação da presença militar no Iraque obrigam, portanto, a limitar dados junto dos respectivos eleitorados, mas retiram margem de manobra negocial.

   A consolidação de um regime democrático num estado unitário ou federal, com uma aliança preferencial com os Estados Unidos, está, presentemente, fora de consideração.

   Um regime ditatorial que assegure a unidade estatal do Iraque é inviável devido à fraqueza e cisões nas forças militares e de segurança e por motivo da força e proliferação de milícias xiitas, sunitas e curdas.

   A hipótese mais crível aponta no sentido do aumento da violência e confrontos tribais, clânicos e étnicos e à emergência de centros de poder locais e regionais autónomos que poderão conduzir à partilha de facto do país, sacrificando, sobretudo, os interesses da minoria sunita, privada das receitas do petróleo.

   Por mais voltas que a administração Bush tente dar ao problema o facto essencial é que a sua intervenção militar ameaça conduzir à desagregação do estado iraquiano e destabilizar a região que vai Golfo Pérsico, ao deserto da Síria, passando pelo Curdistão.

   Só o Irão verá a sua posição estratégica reforçada com o colapso do estado que nos anos oitenta foi a principal força de contenção com que os Estados Unidos contaram para se opor ao regime de Khomeini.

Jornal de Negócios
26 Outubro 2006

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=284778

Um clima de desorientação

 Atentado Mesquita Buratha,
                                                       Bagdade, 7 Abril 2006
   Uma sucessão de impasses militares e diplomáticos está a provocar uma catadupa de iniciativas desconexas que revelam profunda desorientação e descoordenação face às crises que se agravam do Levante ao subcontinente indiano.

   A constatação de que o Irão não será sujeito a sanções económicas e financeiras gravosas, selada pelas declarações de Jacques Chirac acerca do diálogo imperativo com Teerão e agravada pela constatação da inviabilidade de um ataque militar norte-americano, evidenciou no imediato os riscos de proliferação nuclear.

   Gamal Mubarak, o filho e putativo herdeiro do presidente egípcio, elaborou, assim, acerca da necessidade do país enveredar por um programa de produção de energia nuclear para fins exclusivamente civis. O ministro da energia concretizou, anunciado de seguida que o Egipto investiria 1,5 mil milhões de dólares na construção de uma central de 1000 MW a inaugurar em 2015.

   A Turquia que, tal como o Egipto, é signatária do Tratado de Não- Proliferação mantém, por sua vez, o projecto de construção de três centrais até 2015, enquanto a Arábia Saudita guarda silêncio sobre eventuais opções nesse sentido.

   Nos últimos meses os estados do Golfo iniciaram, no entanto, discussões preliminares sobre a viabilidade de programas nucleares civis.

   Os riscos destes eventuais programas nucleares acabarem por incorporar componente militares são elevadíssimos face à prossecução dos projectos iranianos que ganhou esta semana novo alento com a confirmação por parte de Moscovo de que cumprirá as suas obrigações contratuais de forma à central de Busher entrar em funcionamento em Novembro de 2007.

   O interesse em obter garantias mútuas informais de não-agressão face às ameaças de Teerão e dos seus aliados explica, por seu lado, as fugas de informação sobre os primeiros contactos de alto nível entre representantes israelitas e sauditas.

   O entendimento entre Telavive e Riade esbarra, contudo, na impossibilidade presente de Israel oferecer concessões na questão palestiniana.

    O descalabro libanês e a recusa terminante do Hizballah em desarmar as suas milícias retirou margem de manobra ao governo de Ehud Olmert que abandonou os planos para uma retirada unilateral da Cisjordânia. As sondagens indicam uma acentuada viragem à direita do eleitorado israelita favorecendo o Likud de Benjamin Netanyahu em detrimento do Kadima de Olmert e dos trabalhistas de Amir Peretz.

   A incapacidade das facções da OLP que ainda aceitam a autoridade do presidente Mahmoud Abbas em imporem uma partilha de poderes ao Hamas em Gaza e o reconhecimento indirecto de Israel condenam, por seu turno, os palestinianos ao isolamento diplomático e à ruína financeira.

   Nesta conjuntura são vãs as esperanças de qualquer compromisso nos termos da proposta avançada pelos sauditas em 2002 que implicava o reconhecimento de Israel pelos estados árabes em troca da retirada dos territórios palestiniano e sírio ocupados em 1967, do estatuto de Jerusalém Oriental como capital de um estado independente e de uma vaga "solução justa" para os mais de quatro milhões de refugiados palestinianos.

                                     Uma guerra perdida

   À apreensão generalizada dos estados árabes sunitas, da Turquia e da Arménia de que Teerão conseguirá levar avante o seu programa e dotar-se de armas nucleares junta-se a constatação de que as possibilidades de pacificação do Iraque são praticamente nulas.

   Todos os partidos curdos e xiitas continuam a aumentar as exigências de autonomia à custa do governo central e a decisão de adiar por dois anos a criação legal de regiões tem sobretudo a ver com o cálculo por parte dos xiitas de que os Estados Unidos ver-se-ão obrigados até lá a retirar do Iraque. Só os curdos pela voz do presidente Talabani expressam interesse público em albergar tropas norte-americanas.

   Uma sondagem encomendada pelo Pentágono e revelada esta semana pela BBC expressa em toda a sua extensão a impossibilidade de conter a insurreição e o terrorismo dos grupos sunitas e a escalada de ataques e retaliações das milícias xiitas.

   Encurralada e politicamente impotente a minoria de cinco milhões de sunitas aparenta agora apoiar esmagadoramente a insurreição armada contra as tropas da coligação norte-americana e britânica.

   Se em 2003 apenas 14 por cento dos sunitas inquiridos manifestavam apoio aos ataques presentemente esse número subiu para 75 por cento, segundo o estudo encomendado pelo Departamento de Defesa de Washington. 

   Fracassado o projecto de democratização no Iraque aumentam as preocupações pelo efeito mobilizador que o conflito tem causado entre radicais sunitas e xiitas seduzidos pela propaganda islamita.

   A estimativa conjunta das 16 agências de informação dos Estados Unidos de que a guerra no Iraque tem aumentado a base de recrutamento de grupos terroristas no Médio Oriente, a nível internacional e junto das comunidades de imigrantes muçulmanos e seus descendentes segue-se a idêntica análise feita no início do ano pelos serviços secretos britânicos.

                                       Um pacto com o diabo

   O panorama fica mais negro pelo fracasso do contingente multinacional em assegurar a segurança nas regiões rurais do Afeganistão que retornou ao padrão tradicional de sustento de milícias tribais pela produção e tráfico de ópio e heroína.

   O Paquistão, por seu turno, acaba de agravar a periclitante situação do governo de Hamid Karzai, que se encontra confinado a Cabul, ao mesmo tempo que vê deteriorem-se as relações com Nova Delhi que alega cumplicidade de Islamabade em grande número de ataques terroristas na Índia.

   O acordo selado entre os líderes tribais do Waziristão e Islamabade para retirada das tropas governamentais da província é uma cedência dos militares na esperança de evitar que a crescente radicalização dos pashtun provocada pelo reforço do movimento taliban acabe por fragilizar ainda mais o regime de Pervez Musharraf.

   O cálculo de que a liberdade de movimentos dos taliban no Waziristão confinará as suas investidas ao território do Afeganistão poderá, no entanto, revelar-se errado em detrimento quer do governo de Cabul, quer de Islamabade se prosseguir a radicalização dos 40 milhões de pashtun que representam mais de 15 por cento da população do Paquistão e cerca de 40 por cento dos alegados súbditos do estado afegão.

   A região fronteiriça é assim refúgio natural para dirigentes da Al Qaeda que continua muito activa ainda que de forma mais descentralizada. Desde Setembro de 2001 os fiéis de Bin Laden dirigiram, financiaram ou participaram directamente em 30 ataques em 12 países que causaram 2060 feridos e 440 mortos, de acordo com um estudo da Rand Corporation para a Agência de Segurança Interna dos Estados Unidos.

   A estes ataques da responsabilidade da Al Qaeda juntam-se os atentados perpetrados no Iraque e as acções de grupos radicais islamitas independentes que se tornaram mais letais nos últimos cinco anos do que em qualquer período precedente.

   No encadeamento de todas estas crises surge um elemento comum.

   A administração Bush mostra-se incapaz de articular iniciativas diplomáticas coerentes em pelo menos quatro questões fulcrais: o programa nuclear iraniano, a guerra do Iraque, o conflito israelo-palestiniano-árabe, além do Afeganistão.

    Os Estados Unidos em vez de promoverem ou coordenarem iniciativas diplomáticas estão assim cada vez mais sujeitos aos riscos das acções que os seus aliados e parceiros decidem assumir unilateralmente.


Jornal de Negócios
27 Setembro 2006

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O apertar da tarraxa




   O bloqueio ocidental do Irão ficou completo com a entrada em vigor este mês das sanções da UE interditando o seguro de transporte de crude e a aquisição de petróleo a Teerão.

  Obrigar o Irão a renunciar a um programa nuclear passível de uso militar é objectivo da UE e de Washington, tal como das sanções decretadas pela ONU, mas após o fracasso das negociações entre Teerão e os membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha, é pouco crível que estas pressões venham a surtir efeito.

   A semana começou, entretanto, com exercícios militares iranianos e lançamento de mísseis "Shahab" de longo alcance (1300 Km) e ameaças de parlamentares de Teerão de eventual bloqueio do estreito de Ormuz a navios que transportem crude para países que apliquem sanções.

   A um nível mais prosaico o governo de Teerão anunciou a suspensão de aumentos de preços de produtos alimentares, água e energia, no âmbito de um programa a cinco anos de eliminação de subsídios iniciado em Dezembro de 2010, enquanto o Banco Central referia dispor de 150 mil milhões de dólares em divisas para fazer frente à ofensiva ocidental.

   Ante a iminência de novas sanções a quebra na produção e exportações de petróleo já se tinha feito sentir.

   Os 3,3 milhões de barris/dia extraídos em Maio reduziram-se para 2,95 milhões em Junho, de acordo com estimativas da "Reuteurs", prevendo a "Agência Internacional de Energia" que o Irão venha produzir menos 1 milhão de barris/dia no segundo semestre deste ano.

   Neste cenário a Arábia Saudita mantém altos níveis de extracção e o Iraque ultrapassou o Irão, tornando-se no segundo maior produtor da OPEP que, em Junho, extraiu 1,63 milhões de barris/dia acima do tecto de 30 milhões acordado entre os 12 estados, ainda que o crude tenha caído de 130 USD em Março para menos de 90 USD no mês passado.

   Para Teerão à perda do mercado da UE, que representava 18% das exportações, vêm juntar-se reduções nas aquisições da Coreia do Sul, Japão, Índia e China.

   A prazo a China e a Índia não prescindirão do crude iraniano para evitar uma excessiva dependência das monarquias do Golfo sujeita a garantia em última instância de defesa e segurança por parte dos Estados Unidos.

   Nesta fase, contudo, Pequim e Nova Delhi salvaguardam os seus interesses a troco de concessões e descontos nas compras de petróleo que Teerão terá de acomodar para reduzir prejuízos.

   Vendas através de empresas de fachada, o recurso a troca directa, pagamentos em ouro ou divisas distintas do dólar e do euro, não compensarão as perdas num sector que representa 80% das exportações e metade das receitas do orçamento do Irão.

   Teerão não conta com indústrias que evitem o recurso a importações significativas de artigos de consumo corrente e bens de capital, confronta-se com a desvalorização do rial (perda em relação ao dólar superior a 50% num ano) e uma taxa oficial de inflação anual que, em Maio, atingiu os 22,2%.

   O Irão corre o risco -- apesar de a dívida pública rondar apenas 9% do PIB – da deterioração dos saldos positivos do orçamento e da balança de pagamentos provocar uma espiral inflacionista e uma contracção económica superior aos 1% previstos para este ano e aos 0,7% estimados para 2013 pelo "Banco Mundial".

   O regime tem resistido às sanções que os Estados Unidos começaram a impor desde 1992 para conter o programa militar nuclear, posteriormente acompanhadas de restrições aprovadas pela ONU e ampliadas por estados aliados de Washington.

   O boicote comercial, económico e financeiro falhou até agora os seus objectivos políticos e nada indica que os decisores políticos iranianos não estejam dispostos a arrostar com os custos do desafio a velhos inimigos.

   As sanções internacionais criaram sérias dificuldades à prossecução de programas de desenvolvimento de armas de destruição maciça no Iraque e na Líbia, mas, do ponto de vista preponderante no Irão, os exemplos de Saddam Hussein, Gaddafi e da Coreia do Norte, no pólo oposto, provam que um estado em confronto com Washington só garante alguma imunidade perante um ataque militar se dispuser de meios de retaliação.

   O apertar da tarraxa surge numa altura em que Teerão aposta que um ataque israelita seja contido por Washington, aguardando, de resto, pelos resultados das eleições de Novembro para a Casa Branca antes de eventualmente optar por novas tácticas para protelar concessões.

   O bloqueio económico, comercial e financeiro dos Estados Unidos e da União Europeia é mais uma frente de combate num conflito que caminha para um confronto letal.

Jornal de Negócios
04 Julho 2012

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Uma guerra incontrolável



   A guerra civil síria começou por impulsionar confrontos étnico-religiosos no norte do Líbano, galvanizou os sunitas iraquianos na sua resistência à preponderância da maioria xiita e agitou separatistas curdos na Turquia.

   O regime da minoria alauíta entrou, entretanto, em rota de choque contra os islamitas sunitas no poder em Ancara e o derrube de um caça turco na linha de fronteira no Mediterrâneo Oriental avivou o risco de confronto directo entre a Síria e a Turquia.

   O apoio político e as facilidades de fornecimento de armamento, financiado sobretudo pelo Qatar e a Arábia Saudita, que a Turquia tem concedido a diversas facções rebeldes sírias é um jogo perigoso que pode descambar numa guerra com Bashar Al Assad.

   Populações curdas habitam nas regiões fronteiriças do norte da Síria e sudeste da Turquia e os dois estados estiveram já à beira da guerra até Damasco de cortar em 1998 o seu apoio ao "Partido dos Trabalhadores Curdos" de Abdullah Ocalam.

   Actualmente, a situação é mais delicada devido ao arrastar da guerra civil na Síria e aos apoios militares e diplomáticos que Assad concita de Moscovo a Teerão.

   Moscovo recusa qualquer solução que ponha em causa a preservação da base naval russa em Tartus, o reconhecimento do seu estatuto de potência com interesses do Cáucaso ao Mediterrâneo, passando pelo Cáspio e a Ásia Central -- que em nada serão favorecidos por radicalismos islamitas –, além de, subsidiariamente, recuperar o tradicional papel tzarista de defesa da minoria cristã no Levante.

   Estados como a China ou a Índia opõem-se, por sua vez, a que eventuais resoluções da ONU viabilizando uma intervenção militar limitada no conflito para protecção de civis possam ser utilizadas para cobertura de ofensivas da NATO e seus aliados árabes como ocorreu na Líbia.

   Ano e meio de manifestações e confrontos que degeneraram em guerra aberta abalaram o regime, mas os alauítas ainda demonstram clara superioridade militar.

   Os combates nos subúrbios de Damasco são cada vez mais intensos, mas Aleppo, a maior cidade do país, mantém-se sob firme controlo governamental.

   Outras minorias, caso de cristãs ou curdos, continuam a demonstrar grande reticência em alinhar com forças da maioria sunita (74% da população) onde se faz sentir a influência de movimentos islamitas, incluindo grupos anti-xiitas e anti-alauítas.

   O recurso crescente a tácticas terroristas por parte do governo e de diversos grupos revoltosos, desde o "Exército Sírio Livre" a brigadas jihadistas, realça a inviabilidade de uma intervenção externa para apoiar um bloco étnico-religioso contra outras facções.

   O conflito sírio implica, contudo, tantos intervenientes que está a revelar-se um factor de destabilização regional impossível de controlar.

   A eleição presidencial de Mohammed Mursi, ainda que coarctado pelo poder militar egípcio, confirmou a força crescente dos "Irmãos Muçulmanos" em todo o universo sunita e pesa sobre o destino da Síria.

  O islamismo radical do movimento, fundado em 1928 em Ismailia, justificou desde ideologias extermicionistas e tácticas terroristas a formas pacíficas de intervenção política e regista fracassos retumbantes, como no Sudão, ou êxitos assinaláveis conforme sucede presentemente na Turquia.

   O que vier a suceder no Egipto definirá o futuro de um islamismo político bastante diversificado que vingou no mundo sunita árabe em oposição a ideologias nacionalistas, panarabistas, liberais, socialistas e secularistas.

   O islamismo dos "Irmãos Muçulmanos" em países como a Tunísia, o Egipto ou a Jordânia é, também, uma resistência ao rigorismo wahabita promovido por uma Arábia Saudita em que a família real, bastião das monarquias conservadoras árabes, enfrenta um incerto processo de sucessão.

   A guinada islamita no Egipto suscita preocupações em Israel que, além de contabilizar o reforço do Hamas em Gaza e na Cisjordânia, vê reabrir-se a possibilidade de ressurgir a prazo um perigo militar a sul numa altura em que a frente libanesa, onde predominam os xiitas do "Hezbollah", e síria se revela insegura.

   Não aperta ainda uma tenaz anti-israelita dos Golã ao Suez, como na guerra de 1973, mas o fracasso das negociações entre o Irão e as cinco potências permanentes do Conselho de Segurança além da Alemanha confirmou para os decisores de Telavive que Teerão não abandonará o seu programa nuclear militar e que sanções económicas e financeiras dificilmente surtirão efeito.

   Demasiadas crises, cálculos e interesses contraditórios estão a convergir sobre a Síria.



27 Junho 2012
Jornal de Negócios

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