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domingo, 19 de agosto de 2012

Obama esta manhã



Em termos políticos Hillary só pode manter-se na campanha caso tenha vencido no Texas e também no Ohio para, então, reivindicar vitórias em grandes estados que, como Nova Iorque, Califórnia e Nova Jersey, serão fulcrais para a votação de Novembro contra J
Obama esta manhã
À partida a vantagem de Barack Obama era incontestável e só vitórias de Hillary Clinton no Texas e no Ohio por margens superiores a 40 por cento poderiam levar a antiga primeira-dama a ultrapassar o senador do Illinois na contagem de delegados.
As escassas margens de favoritismo de qualquer dos candidatos nas sondagens, a proporcionalidade na atribuição de delegados e o facto de as votações nos principais estados, Texas e Ohio, serem abertas a independentes e republicanos implicavam que a mera partilha dos 370 mandatos em disputa não resolvesse a nomeação democrata.
Barack partia com 1385 delegados, após vitórias em 23 estados e 11 triunfos consecutivos, enquanto Hillary contava com 1276 delegados e 13 estados. A aritmética impedia que algum dos candidatos obtivesse uma maioria incontornável antes das próximas votações que atribuirão 611 delegados.
De resto, as votações que ainda faltam até Junho nunca dariam uma maioria de delegados a Hillary mesmo que fossem averbados os mandatos anulados da Florida e Michigan por desrespeito ao calendário estabelecido pelo Comité Nacional Democrata.  
A nomeação implica o apoio de 2025 delegados na convenção nacional em Denver e, consequentemente, uma maioria de votos por parte dos 796 superdelegados a favor de um dos candidatos. Até à votação de terça-feira cerca de metade dos notáveis do partido ainda não tinha definido a sua orientação de voto e a vantagem de Hillary entre os superdelegados tinha tendência para esvair-se a favor de Obama.
            
Quando desiste Hillary?

A Hillary restava, portanto, quebrar o ímpeto da campanha de Obama com pelo menos uma vitória em termos de votos expressos, ainda que conseguisse um número menor de delegados, no Texas (228 mandatos) ou no Ohio (141 mandatos).
Caso a senadora de Nova Iorque tenha falhado a vitória no Texas por curta margem, devido ao regulamento que permite votar em primárias e repetir a votação em caucuses para atribuir um terço dos mandatos, resta-lhe invocar que este sistema misto favoreceu desproporcionalmente Obama.
O argumento de Hillary só será, no entanto, aceitável pelo establishment democrata se averbar uma vitória significativa no Ohio (estado que oscila entre republicanos e democratas e em que George W. Bush teve dificuldade em bater John Kerry em 2004) e em Rhode Island onde as sondagens lhe davam vantagem apesar de perder em Vermont, dado por adquirido para Obama.
Em termos políticos Hillary só pode manter-se na campanha caso tenha vencido no Texas e também no Ohio para, então, reivindicar vitórias em grandes estados que, como Nova Iorque, Califórnia e Nova Jersey, serão fulcrais para a votação de Novembro contra John McCain.
Para Obama vitórias no Ohio e no Texas seriam garantia da nomeação, mas mesmo o triunfo em apenas um destes estados poderá ter sido suficiente para manter o ímpeto ganhador e assegurar a investidura.
Caso Obama tenha ganho Texas ou Ohio e Hillary não se retire imediatamente da corrida os notáveis do partido tornarão claro à senadora que prolongar a disputa na esperança de uma vitória dentro de sete semanas na Pensilvânia para arrastar a corrida até à última votação em Junho em Puerto Rico e, posteriormente, tornar a convenção de Denver num imbróglio de controvérsias jurídicas e compitas pelo voto dos superdelegados equivale a suicídio político.
Do lado democrata é isto que será título esta quarta-feira: Hillary devastada ou Hillary persiste, apesar da vantagem de Obama.
Em qualquer dos casos as atenções vão incidir de imediato sobre as dificuldades que Obama tenha tido em captar votos de hispanos, mulheres e eleitores de baixos rendimentos. Colmatar essas falhas será essencial para o processo de escolha do parceiro ou parceira de Obama como candidato a vice-presidente.   
Do discurso de vitória de John McCain, que terá assegurado os 1191 delegados para a investidura republicana, afastando de vez Mike Huckabee, o interessante será confirmar se o senador do Arizona continuará a assestar as críticas contra Obama na base da inexperiência do candidato democrata, das suas declarações equívocas sobre proteccionismo e comércio livre, ou se ensaiará avançar com propostas novas na arrancada para a votação de 4 de Novembro, sobretudo em matéria de saúde e reforma fiscal, dois dos principais défices da campanha conservadora.



Jornal de Negócios
05 Março 2008

A relutância na política


Forte contenção salarial para evitar pressões inflacionárias e quebra do consumo dos particulares, por via de restrições ao crédito, e necessidade de reduzir o endividamento excessivo são duas das consequências omissas no discurso político dos dirigentes europeus ao apresentarem planos de emergência para a crise bancária e financeira.
A relutância em advertir os eleitorados para os efeitos a curto e médio prazo do abrandamento económico, ou de recessão em determinados países, e de aumentos dos défices orçamentais é justificada pela necessidade de obter apoio político para pacotes de resgate financeiro e financiamento da banca.

Se na União Europeia estas omissões estão, de momento, a passar em claro, nos Estados Unidos, na recta final das eleições presidenciais, a situação é gritante e com consequências potencialmente mais gravosas.

Promessas de campanha

Barack Obama reciclou esta semana o seu plano de relançamento económico, que, alegadamente, implicará custos orçamentais na ordem dos 60 mil milhões de dólares nos próximos dois anos, menos 55 mil milhões de dólares do que o prometido pelo candidato democrata em Agosto.

Obama adoptou uma proposta de Hillary Clinton que criticara durante as primárias e passou a defender uma moratória de 90 dias para particulares "bem intencionados", mas sem meios para pagarem as suas hipotecas imobiliárias.

Financiamentos federais aos governos estaduais e municípios, além de isenções fiscais para empresas que criem postos de trabalho, constam, ainda, das propostas de Obama para "salvar a classe média" e criar empregos.

John McCain respondeu com cortes nas penalizações por levantamentos parciais de planos de reformas, maiores deduções fiscais por perdas em bolsa, corte de 15% para 7,5% no imposto sobre mais-valias em acções detidas durante pelo menos um ano, além da suspensão, por dois anos, de impostos sobre subsídios de desemprego.

O pacote republicano orça, por sua vez, em 52,5 mil milhões de dólares e faz da palavra de ordem "dinheiro vivo na mão" o tema forte de campanha.

A eficácia e viabilidade destes planos, considerando que as previsões de défice do orçamento para o ano fiscal que terminará em Setembro de 2009 já começaram a ultrapassar os 500 mil milhões de dólares, é altamente duvidosa.

Omissões e desilusões

A um passo da eleição é impossível para qualquer candidato admitir que a carga fiscal terá necessariamente de aumentar e que os cortes orçamentais irão incidir sobre serviços públicos.

Nas vésperas de 4 de Novembro, é tabu afirmar que o nível de endividamento das famílias norte-americanas, que subiu de 78% do rendimento disponível, em 1990, para 129%, no ano passado, é insustentável.

Até ao final do ano passado, as famílias da celebrada classe média nos Estados Unidos tinham visto os seus rendimentos, ajustados à inflação, caírem 400 dólares desde 1999 e, findo o "boom" do crédito, a quebra na qualidade de vida e no consumo está ao virar da esquina.

A relutância em assumir o inevitável terá consequências, e a primeira será, precisamente, agravar o desânimo e desorientação constatados por uma sondagem da Gallup divulgada terça-feira.

Um recorde de 73% dos inquiridos classifica como má a situação económica e 84% considera que a economia irá degradar-se ainda mais.

A sondagem indica, também, que 49% dos inquiridos admite que a recuperação económica só venha a ocorrer a longo prazo devido a problemas estruturais, enquanto 47% estima tratar-se de um declino temporário provocado pela crise financeira.

As expectativas quanto ao sucessor de George Bush, em cuja competência 80% dos inquiridos diz não confiar, são, neste momento, muito baixas.

Apenas 44% dos inquiridos pela Gallup admite que Obama possa relançar a economia e, no caso de McCain, o nível de confiança cai para 31%.

Sobra, portanto, alguma margem para um aumento no número de desiludidos quando o novo presidente iniciar o seu mandato, a 20 de Janeiro.


Jornal de Negócios
16 Outubro 2008

Obama faz-se ao mundo




  Barack Obama conseguiu reorientar a seu favor os termos do debate sobre a presença norte-americana no Iraque e fortalecer a imagem de político com competência para definir um novo rumo estratégico em Washington logo nos primeiros dias do seu périplo internacional.

   O candidato chegou a Bagdade precisamente na altura em que o primeiro-ministro Nouri Al Maliki, em busca de lustro nacionalista para as próximas eleições provinciais, expressava interesse público num calendário de retirada das tropas norte-americanas e desistia de um acordo de longo prazo sobre o estatuto do pessoal militar norte-americano e a instalação de bases dos Estados Unidos no Iraque.

  O agravamento da situação no Afeganistão proporcionou ainda a Obama a oportunidade para fazer valer a sua estratégia de recolocar em 16 meses contingentes militares do Iraque para reforçar tropas e equipamentos em apoio do governo de Cabul naquela que afirma ser "a frente central no combate ao terrorismo".

Uma estratégia ofensiva

  A estratégia de Obama, omissa quanto à cooperação a esperar por parte do Paquistão, obriga necessariamente a um reforço militar dos aliados europeus, do Canadá e da Austrália e à adopção de regras de empenhamento que coloquem na primeira linha de combate contingentes da Força Internacional de Assistência e Segurança da NATO, sobretudo os cerca de 3.500 soldados alemães, até agora afastados do confronto directo com os taliban.

  Ao enquadrar a retirada gradual do Iraque, sujeita às condições político-militares no terreno, numa estratégia regional de "guerra ao terrorismo" e de contenção do Irão através de negociações - favorecido ainda pela mudança táctica da administração Bush, que levou o subsecretário de Estado William Burns a participar em conversações directas com uma delegação iraniana - o candidato democrata coloca John McCain numa situação delicada.

   Para o senador democrata sobra ainda a vantagem de insinuar, no tom demagógico de campanha eleitoral, uma economia de 10 mil milhões de dólares por mês em gastos militares que poderão ficar disponíveis para reforma dos cuidados de saúde e reequilíbrio orçamental.

   O senador republicano gozava, até agora, de vantagem na apreciação do eleitorado sobre a sua capacidade de liderança em questões de segurança nacional.

  McCain passou, no entanto, a ter de discutir a presença militar norte-americana no arco de crises que vai do Mediterrâneo ao Paquistão, sem poder acusar o rival democrata de derrotismo ou irresponsabilidade a partir do momento em que até a administração Bush acedeu a estabelecer "um horizonte temporal" para a retirada de tropas do Iraque e iniciou negociações directas com Teerão.

Um realista centrista


  Para Obama, depois de realçar a necessidade de cooperação multilateral no combate às alterações climáticas e à proliferação militar nuclear, será altura de retomar e reforçar as declarações que fez o ano passado de que nunca hesitaria em "recorrer à força, unilateralmente, se necessário, para proteger os interesses vitais dos Estados Unidos em caso de ataque ou ameaça iminente".

   Obama sublinhou, então, a necessidade de um Plano Marshall para os países do Médio Oriente envolvidos na "guerra ao terrorismo", ao mesmo tempo que caracterizou o risco de organizações terroristas obterem armas de destruição maciça como uma ameaça global. A estratégia do candidato democrata surge, assim, enquadrada nos parâmetros estratégicos essenciais de política de segurança que fazem consenso entre realistas conservadores e liberais de Washington.

  Nota-se, também, uma importância acrescida dada à negociação em instituições multilaterais e a ausência de apelos a reformas democráticas em estados aliados chave, como a Arábia Saudita ou o Egipto.

  Há grandes áreas cinzentas no que possa ser a atitude de uma administração Obama no relacionamento com a Rússia, a China e a Índia, e o pendor tradicionalmente proteccionista dos democratas em matéria comercial é motivo de apreensão, do Canadá ao Brasil.

  As grandes linhas do centrismo ideológico de Obama em matéria internacional começam, no entanto, a ficar claras.

  Algumas declarações passadas denotavam claramente a inexperiência diplomática de Obama e até a ideia de discursar nas Portas de Brandenburgo demonstrou um triunfalismo deslocado, próprio de um candidato pouco dado aos pruridos da velha Europa.

  De resto, afirmar que Jerusalém deve permanecer como capital indivisível de Israel ou que informação credível e accionável sobre a localização de suspeitos terroristas poderia levar a ataques no Paquistão sem pedido prévio de autorização a Islamabade, foram declarações infelizes, mas até revelam as convicções profundas de Obama. Nem pomba, nem falcão, Obama está prestes a encontrar o seu tom e a sua pose na frente internacional para desgraça de McCain.

  É bem possível que, também nas questões de segurança nacional, o candidato democrata venha a arrebatar a palma eleitoral ao veterano McCain.

Jornal de Negócios
23 Julho 2008

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=324934

A estratégia assustadora de McCain

Jornal de Negócios

Filho e neto de almirantes, piloto da Marinha, prisioneiro no Vietname, John McCain afirmaodiar a guerra” e estar disposto a promover a democracia através dadefesa das regras da sociedade internacional civilizada e da criação de novas instituições internacionais necessárias ao avanço da paz e liberdades”.

A declaração consta do discurso pronunciado a 26 de Março, em Los Angeles, ante o World Affairs Council, e sustenta as teses do candidato republicano sobre a “liderança norte-americana” num mundo com múltiplos centros de poder democráticos, da Índia à União Europeia, e onde cresce a influência de estados como a Rússia e a China.

A explanação sistemática dos objectivos de política externa de McCain foi inicialmente ofuscada pela disputa entre os candidatos democráticos, mas à medida que tem vindo a aumentar a real possibilidade de uma vitória republicana na eleição presidencial de Novembro cresce também a perplexidade sobre o discernimento estratégico do senador do Arizona.

A liga McCain

McCain considera que o diálogo com os parceiros democráticos dos Estados Unidos obriga Washington a adoptar um comportamento de acordo com os valores constitucionais e, consequentemente, o repúdio pelatortura ou tratamento desumano de suspeitos terroristas detidos”.

O fecho da prisão de Guantánamo e a negociação com estados aliados de “um novo entendimento internacionalsobre o estatuto de “detidos perigosos” é o corolário desta louvável posição de princípio.

Uma velha instituição internacional como as Nações Unidas não colhe, no entanto, referências de McCain que defende o reforço dasalianças globais” de Washington como “o núcleo de um novo pacto global – A Liga das Democracias”.

A Liga é definida por McCain como o conjunto de “mais de uma centena de nações democráticascapazes de “promover os nossos valores e defender os nossos interesses comuns”.

Outra declaração de princípio de McCain acerca da participação norte-americana em negociações para estabelecer um sistema pós-Quioto, global e “economicamente responsável”, de controlo das emissões de gases com efeito de estufa é suficientemente genérica para permitir qualquer tipo de entendimento.

O acordo de comércio livre estabelecido em 1994 entre os Estados Unidos, Canadá e México é, por seu turno, apontado por McCain como exemplo a seguir para a prosperidade da América Central e do Sul e aqui o senador faz bem melhor figura do que os candidatos democráticos.

Cuba não foi referida na alocução de Los Angeles, mas o candidato afirmou noutras ocasiões considerar impossível alterar a actual “política de contenção” antes da realização na ilha de eleições livres e da libertação dos presos políticos.

Para McCain o bloqueio a Cuba é, aliás, um exemplo de estratégia política de sucesso porque permitiu eliminar a influência de Havana na América Latina e em África.

Transparência e respeito pela legalidade são, noutra frente, duas condições essenciais para o progresso dos estados africanos, segundo McCain que promete prosseguir o apoio de Washington no combate à SIDA e à erradicação da malária num continente onde o imprescindível auxílio externo privilegiará países amigos.

Contra russos e chineses

A estratégia global de McCain passa essencialmente pela ideia de excluir a Rússia do G8 que passaria a incorporar o Brasil e a Índia.
A par desta proposta o candidato republicano defende o alargamento da NATO a todos os estados democráticos contra os perigos de “uma Rússia revanchista”.

A China é, por sua vez, considerada “um desafio central” e por ser um estado não-democrático Washington terá de basear a sua relação com Pequim eminteresses partilhados pontuais”.

McCain exige um comportamentomais responsávelpor parte da China e que Pequim abandone tentativas de entendimentos regionais e acordos económicos para excluir os Estados Unidos da Ásia.

O défice comercial com Pequim e os investimentos chineses em títulos do tesouro dos Estados Unidos não mereceram particular atenção a McCain que ignorou, igualmente, qualquer perspectiva de reforma de instituições como o Banco Mundial ou FMI.

Apesar de excluir Moscovo e Pequim da sua Liga das Democracias e do G8, o senador, que se apresenta como “um idealista realista”, crê poder contar com a cooperação russa e chinesa para “deter e reverter a proliferação nuclear” e, até, reduzir os arsenais existentes.

Em Los Angeles McCain não sentiu necessidade de elaborar sobre as declarações sucessivas em que tem reservado para os Estados Unidos o direito de desenvolver novos sistemas anti-mísseis, incluindo a componente militar espacial, face à ameaça de estados-párias como a Coreia do Norte e de competidores estratégicos como a Rússia e a China.

Nem autocratas, nem realismo

O programa nuclear militar do Irão, apontado por McCain como um risco intolerável que poderá justificar um eventual ataque militar, será eliminado graças aos esforços dacomunidade internacionalna versão estratégica apresentada na Califórnia.

A “ameaça do terrorismo radical islamita”, tido como a mais perigosa pelo risco de implicar armas de destruição maciça, obriga, por sua vez, a umaestratégia agressiva de confronto e eliminação onde quer que os terroristas tentem operar” McCain reconhece que, além do recurso à força militar, será imperativo ganhar o apoio da maioria moderada dos fiéis muçulmanos e criarestruturas internacionais para uma paz durável”.

Para precisar a sua ideia, McCain afirma que a ordem e estabilidade no Grande Médio Oriente não serão asseguradas porautocracias ultrapassadas”, como, por exemplo, a família real saudita, os generais paquistaneses ou os líderes do Egipto, ainda que admita como indesejávelactuar de forma precipitada ou exigir mudança imediatapara reformar tais regimes.

O candidato republicano ignorou o conflito israelo-palestiniano na alocução de Los Angeles, mas é conhecida a sua ambiguidade nesta questão de forma a manter em aberto todas as opções negociais, incluindo a possibilidade de propor concessões territoriais do estado judeu para avançar conversações de paz que excluam o Hamas.

No arco que vai do Médio Oriente ao Sudeste asiático, passando pela Ásia Central e o subcontinente indiano, McCain identifica comopilares para a construção de uma paz seguraestados democráticos como a Turquia, Israel, a Índia e a Indonésia.

O Iraque e o Afeganistão surgem, entretanto, como elementos centrais para “o triunfo da tolerância religiosa”, implicando a prossecução de um esforço de guerra que tem por objectivo a criação de “estados democráticos pacíficos, estáveis e prósperos que não representem uma ameaça para os vizinhos e contribuam para a derrota dos terroristas”.

Incoerente e assustador

O roteiro de McCain é assustador na sua incoerência, total falta de realismo e subestimação de condicionantes económicas e financeiras.

Mais do que uma mescla de velhos filões do realismo republicano em matéria de relações internacionais, partilhado por alguns conselheiros de McCain como Henry Kissinger ou Richard Armitage, o que se vislumbra nas intenções estratégicas do candidato é uma tónica intervencionista e de confronto marcada pela ideologia neoconservadora de William Kristol ou Robert Kagan.

John McCain, caso venha a ser eleito presidente, será submetido de imediato a tamanho duche frio de exigências e aflições que nem vislumbre de Liga das Democracias ou refundação do G8 se salvarão.

Ainda antes que Pequim ou Moscovo pressionem o eventual presidente republicano, a apreensão de aliados em Berlim, Tóquio ou Riade será tal que ou McCain arrepia caminho ou condenará os Estados Unidos a um intervencionismo voluntarista capaz das maiores desgraças.

É preocupante o estado de espírito que anima McCain na sua pretensão de reformar o mundo.


30 Abril 2008

John McCain's 'Frightening' Strategy

John McCain's 'Frightening' Strategy

"McCain's plans are frightening in their incoherence, total lack of realism and underestimation of economic and financial constraints. …It is a worrying state of the mind that animates McCain in his desire to reform the world."

By João Carlos Barradas
                                          

Translated By Brandi Miller

April 30, 2008


http://worldmeets.us/
A son and grandson of admirals, a Navy pilot and a prisoner in Vietnam, John McCain says that he "hates war" and is open to promoting democracy, "by defending the rules of international civilized society and by creating the new international institutions necessary to advance peace and freedom."

This statement is contained in a March 26th speech before the Los Angeles World Affairs Council, and it backs up the Republican candidate's ideas about "United States leadership" in a world with multiple centers of democratic power, from India to the European Union, and where the influence of countries like Russia and China is growing.

The systematic explanation of McCain's foreign policy goals was initially overshadowed by the dispute between the Democratic candidates, but as the possibility of a Republican victory in the November presidential election grows, so too does the difficulty in discerning the strategic wisdom of the senator from Arizona.

THE MCCAIN 'LEAGUE'

McCain believes that the dialogue with the Democratic partners of the United States obliges Washington to adopt behavior in accord with constitutional values and, consequently, the repudiation of "torture or inhuman treatment of detained terrorist suspects."

The closing of the prison at Guantánamo and negotiating with allies for "a new international understanding" on the status of "dangerous detainees" is the corollary of this laudable position of principle.

An old international institution like the United Nations, however, can't be what McCain is referring to when he argues for the reinforcement of "global alliances" with Washington as "the core of a new global compact - the League of Democracies."

The League is defined by McCain as the "more than one hundred democratic nations around the world" capable of "advancing our values and defending our shared interests."

Another statement of principle from McCain about U.S. involvement in negotiations to establish a globally and "economically responsible" post-Kyoto system for controlling greenhouse gas emissions is sufficiently broad to allow for any kind of understanding.

The free trade agreement established in 1994 between the United States, Canada, and Mexico is in turn pointed to by McCain as an example to follow for prosperity in Central and South America, and here the senator does better than the Democratic candidates.

Cuba wasn't mentioned in the Los Angeles speech, but the candidate has said on other occasions that he considered it impossible to alter the current "policy of containment" until the island holds free elections and releases all political prisoners.

For McCain, the blockade of Cuba is an example of successful political strategy because it allowed for the elimination of Havana's influence in Latin America and Africa.

On another front, transparency and respect for legality are two essential conditions for the progress in the African states, according to McCain, who promises to continue Washington's support in combating AIDS and eradicating malaria on a continent where this indispensable foreign aid will help friendly countries.

AGAINST THE RUSSIANS AND CHINESE

McCain's global strategy concerns essentially excluding Russia from the G8 and including Brazil and India.

Alongside this proposal, the Republican candidate supports the enlargement of NATO to all democratic states against the dangers of "a revanchist Russia." [A Russia seeking to restore its former military and political power].

China is in turn considered "a central challenge," and being a non-democratic state, Washington will have to base its relationship with Beijing on "sporadic shared interests."

McCain demands "more responsible" behavior from China and that Beijing abandon attempts at reach regional understandings and economic agreements that exclude the United States from Asia [McCain is probably referring to the Shanghai Cooperation Organization, which was invented by Beijing and Moscow to counter NATO ].

The trade deficit with Beijing and the Chinese investments in United States Treasury bonds receive no special attention from McCain, who also lacks any perspective on reforming institutions like the World Bank or the IMF.

Although he excludes Moscow and Beijing from his League of Democracies and the G8, the senator, who presents himself as a "realistic idealist," believes he can count on Russian and Chinese cooperation to "halt and reverse nuclear proliferation" and even to reduce existing arsenals.

In Los Angeles, McCain didn't feel the need to elaborate on the successive statements in which he has reserved the right, given the threat of outcast countries like North Korea and strategic competitors like Russia and China, for the United States to develop new anti-missile systems, including a military component in space.


                                                                                                                     [The Telegraph, U.K.]

NEITHER AUTOCRATS NOR REALISM

In the strategic scenario presented in California, Iran's nuclear weapons program, highlighted by McCain as an intolerable risk that could justify a military strike, will be eliminated thanks through the efforts of the "international community."

The "threat of radical Islamic terrorism," being the most dangerous threat due to the risk involved with weapons of mass destruction, requires in turn an, "aggressive strategy of confronting and rooting out terrorists wherever they seek to operate." McCain acknowledges that, beyond the use of military force, it will be imperative to win the support of a majority of moderate Muslim believers and create "international structures for a durable peace."

To clarify his idea, McCain says that order and stability in the Greater Middle East will not be secured through "outdated autocracies," like, for example, the Saudi royal family, the Pakistani generals or the leaders of Egypt, even though he admits it would be undesirable, "to act rashly or demand change overnight" to reform such regimes.

The Republican candidate ignored the Israel-Palestine conflict in his Los Angeles speech, but his well-known ambiguity on the issue is in order to keep all options open, including the possibility of pressing the Jewish state to offer territorial concessions to advance peace talks that exclude Hamas.

In the arc that goes from the Middle East to Southeast Asia through Central Asia and the Indian subcontinent, McCain identifies as "pillars for the construction of secure peace," democratic states like Turkey, Israel, India and Indonesia.

Iraq and Afghanistan, however, emerge as the central elements in the "triumph of religious tolerance," implying the pursuit of a war effort that has as its goal the creation of "peaceful, stable, prosperous democratic states that pose no threat to neighbors and contribute to the defeat of terrorists."

                                                                                                             [Excelsior, Mexico]


INCOHERENT AND FRIGHTENING

McCain's plans are frightening in their incoherence, total lack of realism and underestimation of economic and financial constraints.

While partly inspired by the thinking of the Republican realist school of international relations shared by some advisers like Henry Kissinger and Richard Armitage, what gives the best glimpse into McCain's strategic intentions is the interventionist and confrontational neoconservative ideology of William Kristol or Robert Kagan.

John McCain, should he ever be elected president, will be immediately subject to such a cold shower of demands and afflictions that neither the creation of a League of Democracies or the restructuring of the G8 will save.

Even before Beijing or Moscow put the heat on the eventual Republican president, the apprehension of allies in Berlin, Tokyo and Riyadh would be such that either McCain will have to change course or he will condemn the United States to a proactive interventionism capable of bringing even greater misfortune.  
Posted by WORLDMEETS.US

It is a worrying state of the mind that animates McCain in his desire to reform the world.