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domingo, 19 de agosto de 2012

Obrigado Bin Laden



   As exortações do terrorista Bin Laden têm uma vantagem incomensurável.

   Cada tirada do saudita aponta o caminho a seguir na guerra ao islamismo totalitário e desfaz qualquer ilusão em matéria de apaziguamento e concessões.

    Osama Bin Laden não ofereceu desta feita tréguas a europeus ou norte-americanos, intercaladas de ameaças de actos terroristas, e advertiu que a guerra é total e indiscriminada pois, afirma o xeque, recaem sobre todos os povos as responsabilidades pelas acções anti-islâmicas dos seus «dirigentes e senhores».

   Consequentemente, qualquer civil é conivente na cruzada e, portanto, potencial alvo por via da guerra sem quartel que movem «os sionistas e os cruzados» contra a comunidade imaginária de fiéis do Profeta, sob o comando do foragido em terras das tribos pashtun.

   A campanha de genocídio no Darfur, em que se empenham em particular as milícias Janjaweed, é apresentada por Bin Laden como «justa resistência» a uma cruzada ocidental e sionista para dividir o Sudão.

  A ignota tragédia do Darfur está, agora, a par da generalizada ofensiva anti-islâmica para «pilhar as riquezas» dos crentes.

  É uma tentativa propagandística de Bin Laden de justificar uma nova frente terrorista depois de ter ignorado o Sudão desde a sua expulsão do país em 1996.

   As referências ao Darfur, com os frustes conselhos para os putativos guerreiros aproveitarem a estação das chuvas e armarem-se, é, apenas, mais um caso exemplar da capacidade de Bin Laden em parasitar todo e qualquer conflito que envolva comunidades muçulmanas.

   Vem na linha da proclamação de Novembro de 2001 ao denunciar os «cruzados australianos» que a mando da ONU desembarcaram em terras indonésias para «separar Timor-Leste do mundo islâmico» e nesta mensagem de Abril Bin Laden reitera a denúncia desta conspiração dos «cruzados, dos sionistas e dos hindus».

   O boicote ao governo de Ismail Haniyeh é outra prova da conspiração global contra o Islão na interpretação mais recente de Bin Laden, ecoando as tiradas de um apoiante declarado, o xeque iemenita Abd al-Majid al Zindani, que no início deste mês manifestou o apoio aos islamitas palestinianos numa reunião no Iémen em que esteve presente o líder do Hamas Kahled Mashaal.

   O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, apressou-se a afirmar que a doutrina do movimento «é totalmente diferente da ideologia do xeque Bin Laden», mas admitiu, também, que «o cerco internacional ao povo palestiniano» é foco de tensão no mundo árabe e islâmico» e alimenta a suspeita de «uma aliança ocidental e israelita».

   No plano da ideologia que alimenta a acção o universo fantasmagórico dos islamitas acaba por confundir todas as correntes e a vertente nacionalista do Hamas, herdeiro dos Irmãos Muçulmanos, revela-se, assim, na sua obsessão pelo extermínio dos judeus paralela à retórica exclusivista e genocida de Bin Laden.

   A incapacidade que a Al Qaeda tem mostrado para implantar-se na Palestina, mostra, contudo, que o islamismo nacionalista do Hamas é um obstáculo de peso às ambições de jihad global de Bin Laden.

   A deriva terrorista anti-xiita e contra as facções nacionalistas sunitas no Iraque promovida por Abu al Zarqawi e agravada pelos atentados de Novembro do ano passado em Amã contribuíram para desprestigiar ainda mais a Al Qaeda como alegada vanguarda da resistência islâmica.

   A marcar presença nesta última tentativa de Bin Laden para provar que é ainda capaz de marcar a agenda guerreira, apesar de, na realidade, limitar-se a parasitar os conflitos possíveis, o foragido tentou, igualmente, reavivar a campanha contra os alegados insultos caricaturais ao Profeta e a proibição do porte do véu islâmico nas escolas francesas, reiterando as tradicionais ameaças aos governantes «hipócritas e apóstatas» vendidos a um compromisso com os inimigos do Islão.

    Não trouxe novidade e revelou frustração quanto a movimentos e causas que se multiplicam, ignorando a jihad pela restauração do Califado acalentada por Osama Bin Laden.

                                         Bin Laden sem o Irão

   Gravada após a segunda semana de Março, a julgar pela referência ao ataque israelita à prisão de Jericó, a declaração de Bin Laden, tal como a exortação de 19 de Janeiro, refere as guerras do Iraque e do Afeganistão, acrescenta agravos sofridos na Tchetchénia, em Caxemira, na Bósnia, na Somália, no Afeganistão e no Paquistão, mas é omissa quanto a uma questão fulcral: o Irão.

   Bin Laden e o seu número dois, o egípcio Aimen al Zawari, evoluíram nas névoas do islamismo sunita e estão excluídos doutro universo dogmático, o dos heréticos xiitas, que, como ideólogos consequentes, optam por relegar às trevas.

   Ora, o xiita persa Mahmoud Ahmadinejad é o pólo oposto de Bin Laden.

   Nos seus momentos de exaltação Ahmadinejad perde-se no recolhimento do khalvat, na comunhão com o Mahdi, o décimo segundo imã oculto.

   Ahmadinejad é um crente no mahdaviat, devoto ao culto e activismo pelo retorno do Soberano do Mundo, como, aliás, deixou claro na alocução à Assembleia Geral da ONU em Setembro do ano passado, um mês após tomar posse como presidente do Irão.

   O martírio da bomba nuclear será, nas alucinações de Ahmadinejad, a via do activismo, a ta´bi`a, a exemplo do sacrifício do imã Husain para restaurar a Casa de Ali; um passo do walâyat, o ciclo de iniciação espiritual xiita no sentido oculto da mensagem profética.

   Esta dogmática xiita é alheia ao activismo sunita de Bin Laden que visa unificar os crentes e expandir a Casa do Islão na pureza mítica dos tempos do Profeta, sem miragem de apocalipse e advento da justiça divina.

   Nas suas alucinações místicas os radicais islamitas sunitas e xiitas têm em Bin Laden e Ahmadinejad dois pólos totalmente opostos que se combatem numa tradição que acreditam advir das lutas que dilaceraram os sucessores de Maomé.

   Ao foragido nas montanhas que as tribos pashtun protegem cabe daqui endereçar um imenso obrigado por nos relembrar estas infames e alucinadas verdades de uma guerra sem quartel.

Jornal de Negócios
26 Abril 2006

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=274979

O "Irão terrorista"

Atiyah Al Rahman


   Depois de acabar com Bin Laden, em Maio, a Casa Branca riscou da lista dos terroristas mais procurados o principal chefe operacional da Al Qaeda, Atiyah Al Rahman, que terá sido morto no noroeste do Paquistão a 22 de Agosto.

   Um míssil disparado por um avião não-tripulado no norte do Waziristão eliminou, de acordo com informações oficiais norte-americanas, o líbio que nos últimos meses, antes de Bin Laden ser abatido em Abbottabad, conspirara com o líder da Al Qaeda para desencadear novos atentados nos Estados Unidos.

   Al Rahman, que já fora dado como morto em Outubro do ano passado, tinha a cabeça a prémio por um milhão de dólares, era, segundo Washington, o comandante das forças da Al Qaeda nas áreas tribais do Paquistão e uma figura chave nos contactos com os jihadistas do Magrebe, no Iémen e demais núcleos ligados à organização.

   O homem que passara a número dois da Al Qaeda liderada pelo egípcio Aiman Al Zawahiri era, portanto, o mais proeminente responsável pela coordenação de operações e contactos nos círculos jidahistas.

                                         O canal iraniano

   Uma declaração emitida a 28 de Julho pelo Departamento do Tesouro de Washington nomeara, também, Al Rahman como um dos seis elementos de uma rede terrorista que operaria ao abrigo de "um acordo entre a Al Qaeda e o governo do Irão".

   A nota do governo norte-americano indicava, ainda, que Al Rahman fora designado, em data não especificada, por Bin Laden como "representante da Al Qaeda no Irão", uma posição que, alegadamente, lhe permitia entrar e sair da República Islâmica com autorização de Teerão.

   A Al Qaeda teria através deste acordo com Teerão garantido "um canal privilegiado" para fazer transitar "dinheiro, agentes de apoio e operacionais do Médio Oriente para o sul da Ásia".

   O Departamento do Tesouro arrestava consequentemente bens sob jurisdição norte-americana dos jihadistas e proibia contactos comerciais ou financeiros com todos os seis membros da Al Qaeda em trato com o Irão.

   O sírio Ezedin Abdel Aziz Khalil, sedeado no Irão, seria o chefe da rede - ainda que Al Rahman fosse alegadamente o representante não-residente junto dos iranianos - que abrangia jihadistas no Kuwait, Qatar e Paquistão.

   Nenhum iraniano era identificado no comunicado que, de acordo com o subsecretário David Cohen, com o pelouro da "intelligence" sobre terrorismo e finanças, esclarecia "o apoio sem paralelo do Irão ao terrorismo".

   O subscretário de Barack Obama declarava taxativamente que "o Irão é, actualmente, o principal estado apoiante do terrorismo".

                                        Atavismos políticos

   Dez anos passados sobre os atentados da Al Qaeda nos Estados Unidos a retórica que serviu a George W. Bush como um dos pretextos para justificar a invasão do Iraque ressurge sob a Administração Obama.

   O Irão é, agora, o estado tido como patrono da Al Qaeda numa altura em que Teerão, aparentemente em vias de recuperar dos danos provocados no ano passado pelo vírus informático "Stuxnet", tem vindo a aumentar a capacidade de produção de urânio enriquecido passível de utilização militar.

   A conjuntura económica e financeira não se apresenta propícia a uma eventual operação norte-americana contra o Irão, as previstas retiradas de efectivos militares do Iraque e do Afeganistão desaconselham hostilizar directamente Teerão, mas à entrada de um ano eleitoral é previsível que as tiradas contra os inimigos dos Estados Unidos subam de tom.

   Divergências de apreciação sobre os riscos do programa nuclear militar do Irão ou ameaças de redes terroristas são expressas abertamente por responsáveis da administração democrática e neste caso do alegado acordo Al Qaeda-Teerão podem redundar numa escalada retórica de consequências políticas dificilmente controláveis.

                                            Inimigos e expedientes

   Os líderes xiitas do Irão encontram-se num pólo religioso rigorosamente oposto aos safalistas sunitas da Al Qaeda.

   Teerão opõs-se aos taliban sunitas e de etnia pashtun do Afeganistão desde meados da década de 90 e, tal como Washington ou Nova Deli, apoiou em 2001 a "Aliança do Norte" na luta contra os homens do mullah Omar e Bin Laden.

   Alguns dirigentes da Al Qaeda, caso do egípcio Saif Al Abdel, terão, presumivelmente, encontrado abrigo no Irão após a queda dos taliban.

   As autoridades de Teerão restringiram as suas actividades ou colocaram pessoas ligadas a Bin Laden sob prisão domiciliária, segundo informações admitidas inclusivamente pelos serviços de informações norte-americanos, para as utilizarem em eventuais trocas de prisioneiros.

   A extradição para o Irão dos guerrilheiros "Mujaedin e-Khalq" baseados no Iraque e anteriormente apoiados por Saddam Hussein foi, por exemplo, um dos objectivos frustrados de negociações entre Teerão e Washington em que elementos da Al Qaeda serviriam como moeda de troca.

   Independentemente de contactos e conivências em operações de tráfico clandestino de armas, informações e financiamentos, os objectivos estratégicos de Teerão nada têm em comum com a Al Qaeda excepto no que possa vir a fazer valer os interesses iranianos ou prejudicar inimigos em comum sem dano de maior para o Irão.

                                             Os cadastrados

   Qualquer apoio ou condescendência de Teerão em relação à Al Qaeda, que sob a liderança do jordano Abu Al Zarqawi entre 2004 e 2006 lançou uma campanha de massacre dos xiitas no Iraque, só pode ser encarada como um expediente táctico.

   Quando Obama permite declarações peremptórias acusando Teerão de cumplicidade no planeamento de actos terroristas contra os Estados Unidos aumenta o risco de uma escalada retórica e propagandística face a um estado hostil que acabará por restringir as opções da Casa Branca.

   Pouco ou nada recomenda o regime iraniano, mas, tendo em conta o cadastro da administração Bush na justificação infundada de uma intervenção militar contra o Iraque, que, aliás, poderia ser considerada por outras razões e sobretudo conduzida de forma diferente, o mínimo a esperar de Obama era um pouco mais de sensatez ao permitir que um subsecretário arrisque a tirada do "Irão terrorista".

Jornal de Negócios
31 Agosto 2011

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=503813

Morte e transfiguração de Bin Laden




   A perseguição a Osama Bin Laden chegou ao fim na altura em que o apelo da "Al Qaeda" se tornou essencialmente irrelevante na maior parte do mundo islâmico.

   Bin Laden falhou no seu objectivo: impulsionar a criação de um califado de Granada ao Turquestão chinês e a reconquista de todos os territórios em tempos sob alegado domínio islâmico.

   Fracassou ainda a estratégia de liderança da "Al Qaeda" na mobilização dos muçulmanos para o derrube de regimes ditos apóstatas no norte de África, no Médio Oriente e na Ásia central.

   Os ataques contra os judeus e o auto proclamado "inimigo longínquo", os infiéis patronos de apóstatas, obtiveram, no entanto, um êxito paradoxal ao provocarem a retaliação da incoerente "guerra ao terrorismo" da administração Bush que contribuiu para destabilizar precários equilíbrios de poder do Magrebe aos contrafortes do Hindu Kush.

   Desde 2001 se muita coisa mudou, imensa gente morreu e sofreu nos conflitos que buscaram justificação nas violências da "jihad" e da "guerra ao terrorismo", também a "Al Qaeda" de Bin Laden jaz entre as ruínas moribunda e ainda letal.

                                A disputa pelo manto do profeta

   A tentativa de Bin Laden hegemonizar os movimentos salafistas (apostados no derrube violento de qualquer regime que não reconheça as suas interpretações da lei islâmica) começou por ser bem sucedida com os primeiros atentados de repercussão global, em particular o ataque de 1993 ao "World Trade Center" de Nova Iorque.

   A "Al Qaeda" assumiu então uma posição de vanguarda no terrorismo jihadista e o contributo ideológico e organizacional do egípcio Ayman al Zawahiri revelou-se fundamental para a coordenação e financiamento de acções terroristas à escala internacional.

   A orientação sectária sunita da "Al Qaeda" e os ataques indiscriminados causadores de vítimas muçulmanas, matando mulheres e crianças, contudo, cedo criaram tensões entre militantes e potenciais apoiantes da jihad global.

   Tal como sucedera com os salafistas egípcios da "Gamaa Islamyia" e da "Jihad Islâmica", empenhados no anos 90 em campanhas de terrorismo visando sobretudo coptas e alvos estrangeiros, o extremismo táctico e doutrinário deixou a "Al Qaeda" crescentemente isolada.

   A sangrenta campanha anti-xiita no Iraque iniciada pelo jordano Abu al Zarqawi ainda se prolongou por mais dois anos depois da morte do líder da "Al Qaeda na Mesopotâmia" em 2006, mas acabou por redundar na alienação das tribos sunitas que eram a base da organização.

   A partir de 2008 o apoio norte-americano aos adversários sunitas iraquianos da "Al Qaeda" ponha fim a quatro anos de campanha terrorista por parte dos seguidores de Bin Laden.

   A "Al Qaeda" revelou-se igualmente incapaz de representar na Palestina uma alternativa aos radicais islamitas do "Hamas" de orientação nacionalista ou aos separatistas em guerra por um emirado no Norte do Cáucaso.

   A perda de bases no Afeganistão, a erosão provocada pela prisão e morte de muitos quadros (casos do egípcio Mohammed Atef, líder militar da organização morto perto de Cabul em Novembro de 2001, ou do chefe operacional do 11 de Setembro o kuwaitiano Khalid Sheik Mohammed capturado em Rawalpindi em 2003), dificuldades de financiamento, movimentação e comunicação limitaram fortemente, por seu turno, a capacidade operacional da "Al Qaeda".

   Bin Laden em quase uma década de fuga acabou reduzido a um símbolo de propaganda jihadista, enquanto do Magrebe ao Iémen, passando pela Somália ou o Mali, organizações nominalmente sob a tutela da "Al Qaeda" elaboravam estratégias autónomas.

                                   A dispersão da Al Qaeda

   A função orientadora e coordenadora do terrorismo salafita a que Bin Laden e Aiman Al Zawahiri aspiraram esfumou-se ainda que duas décadas de terrorismo jihadista global tenham aproveitado e potenciado a radicalização de muitos muçulmanos da Europa ao Sudeste da Ásia.

    O exemplo mais claro é apresentado pela doutrinação da "Al Qaeda" na "Península Arábica" que sob a liderança do iemenita Nasir Al Wuhayshi prega uma guerra generalizada, sem chefia central, e à medida das capacidades ofensivas de jihadistas capazes de aproveitarem toda a oportunidade para ataques em qualquer local possível.

   O núcleo central da "Al Qaeda", mobilizando escassas centenas de militantes, está sobretudo disperso pelas zonas tribais do Paquistão, desempenha um papel secundário na galáxia de organizações radicais islamitas da região, e dificilmente terá capacidade para coordenar atentados fora desta área.

   Morto o líder carismático que motivou adesões entre os crentes do terrorismo salafista, a sobrevivência da "Al Qaeda" enquanto organização depende agora das provas de terror que possam dar as suas células dispersas concretizando algum atentado de alto valor simbólico ou substancialmente destrutivo.

   A nível regional, independentemente do eventual ataque de ocasião perpretado pela "Al Qaeda" no Paquistão ou no Afeganistão, outras organizações radicais islamistas como os "Taliban" do clã Haqqani são muito mais activas e poderosas motivando terroristas que noutros tempos seriam atraídos pela "Al Qaeda".

   A "Lashkar-e-Taiba", o "Exército dos Puros" que luta pela islamização de Caxemira e conta com cumplicidades nas forças armadas e serviços secretos de Islamabade, é, por sua vez, uma ameaça particularmente relevante entre os movimentos islamitas no Paquistão devido aos riscos que representam os seus ataques contra a Índia.

                                     Foragido sem rumo

   Ao abrigo de Abbottabad, sob a inegável protecção equívoca de algumas altas patentes paquistanesas que Washington terá de fingir ignorar para salvaguardar interesses maiores como a dissuasão nuclear no subcontinente e a planeada retirada do Afeganistão, ainda chegaram a Bin Laden os ecos da revoltas no norte de África e no Médio Oriente.

    O saudita nem liderava, nem se metaformoseara num mito.

    Bin Laden era apenas um fugitivo.

    Na contestação a regimes autocráticos estão a ser irrelevantes os apelos jihadistas e na legitimação religiosa das revoltas árabes fazem-se ouvir vozes islamitas das ramas mais tradicionais dos "Irmãos Muçulmanos".

   É uma conjuntura em que a ideologia teocrática do safalismo, ainda que vivaz e capaz de eventualmente vir a retomar ímpeto, cede o passo a mobilizações feitas em nome de valores e interesses muito diversos da pregação da "Al Qaeda".

   Quando chegaram para o matar Bin Laden já estava transfigurado num fantasma da propaganda salafista.


Jornal de Negócios
04 Maio 2011

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