Alguns foram mortos na praça, mas a maioria foi abatida a tiro na avenida e nas ruas que dão acesso à praça da paz celestial. Ainda hoje é incerto o número de vítimas do massacre de 4 de Junho de 1989 na praça Tiannamen. Fala-se em centenas de mortos, mas precisões só mesmo as da câmara municipal de Pequim que veio depois referenciar quantas dezenas e centenas de canteiros e candeeiros tinham sido destruídos por culpa de vândalos anticomunistas. Nunca se soube também quem era o homem que na manhã seguinte foi imortalizado por fotógrafos e operadores de câmara estrangeiros. O homem que fez frente sozinho a uma coluna de tanques. Desapareceu o homem e o regime riscou da história os protestos que de Abril a Junho convulsionaram Pequim e grande parte da China. O incidente foi classificado como tentativa de subversão anticomunista e não é passível de discussão. Neste 4 de Junho, 23 anos depois, a censura de Pequim zelou por isso e a polícia tratou de resto. Para as gerações mais novas as revoltas de 1989 é como se nunca tivessem existido, mas para a liderança do partido é precisamente o contrário. Tiananmen evoca um momento de alto risco para o regime. Uma altura em que dissenções ao mais alto nível se conjugaram com protestos estudantis em Pequim, greves e manifestações de operários noutras cidades. Um momento em que tudo tremou e até voltou o medo de confrontos em larga escala como nos anos da grande revolução cultural
proletária das décadas de 60 e 70. Por tudo isto é com pinças e censura extrema que o regime tem vindo a tratar das desgraças de um dos grandes do partido, Bo Xilai. O homem forte da grande cidade de Chongqing, no sudoeste da China, foi demitido em Abril por corrupção e suspeita de participação no assassínio de um facilitador de negócios britânico. O caso Bo envolve ainda uma polémica entre dirigentes comunistas sobre estratégia política. Ficou de lição ao partido que a roupa suja se lava em casa. Nada de pretextos para protestos sobretudo numa altura em que a situação económica deixa a desejar. É o legado do 4 de Junho de 1989. O legado de Tiananmen.
O mundo num minuto / TSF
04 Julho 2012
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