Um crescimento económico anual na ordem dos 7% é o objectivo apontado no plano quinquenal 2011/2015 que a Assembleia Nacional Popular da China está em vias de aprovar.
Promover o consumo interno, reduzindo as desigualdades sociais e a degradação ambiental, são objectivos essenciais para assegurar a estabilidade na transição para a nova liderança que o 18º Congresso do Partido Comunista ratificará em Outubro de 2012.
O futuro chefe do partido e do estado, Xi Jinpiang, e o provável próximo primeiro-ministro, Li Leqiang, serão os legatários de uma estratégia que garantiu a sucessão consensual da liderança política depois das convulsões de 1989.
Características chinesas
"Socialismo com características chinesas" tornou-se o chavão oficial para definir um sistema em que o controlo indisputado do partido sobre o estado assenta a sua legitimidade na prossecução de um crescimento económico capaz de prover uma melhoria contínua das condições de vida.
Na ausência de pluralismo político e liberdade de expressão a ideologia do crescimento económico ininterrupto, a par do nacionalismo, subsiste como razão de estado inquestionável que obriga à aquiescência dos cidadãos.
A matriz da ideologia do poder tem a sua expressão na alocação e redistribuição de recursos que o partido define no plano quinquenal, o décimo segundo desde 1953.
O plano em aprovação rege-se pelas mesmas linhas das "directivas gerais" para 2006/2010 que tinham assumido a impossibilidade de prosseguir um modelo económico assente em exportações com escassa incorporação tecnológica e insustentáveis custos ambientais.
O objectivo de crescimento de 7,5% do quinquénio precedente acabou por ser ultrapassado, cifrando-se em 11,1%, mas a "Sociedade Harmoniosa" prometida pelo presidente Hu Jintao viu acentuar-se a desigualdade social.
Desigualdade e contestação
Na China o coeficiente Gini - do 0 da igualdade perfeita de rendimentos a 1 na desigualdade máxima de concentração individual total de riqueza em detrimento dos demais - passou no socialismo de miséria maoísta de 0,28 (ou provavelmente menos dado que as estatísticas não são fidedignas) a 0,5 na altura em que Pequim se assume como a segunda maior economia do planeta.
Para a maioria da população, sobretudo de etnia Han, enquanto se mantiverem credíveis as expectativas de melhoria da sua situação social é possível que a contestação -- desde que as autoridades dêem a entender com um mínimo de credibilidade a sua disponibilidade para atenderem a queixas pontuais - possa ser contida dentro dos limites do tolerável para o regime, ainda que as assimetrias regionais possam deitar tudo a perder.
Apesar de protestos e greves terem vindo a aumentar na última década o consenso social - abalado, no entanto, pela contestação ideológica de minorias intelectuais e activistas como o Prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiabao - desejado pelo Partido Comunista tem-se mantido, não obstante os riscos de dissensão étnica, agravada pelos diferenciais de rendimento, no Tibete e Xinjiang.
O primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou como objectivo quinquenal um aumento dos rendimentos equivalente à taxa desejada de 7% de crescimento económico essencialmente por via da contenção da inflação (5% é a previsão para 2011), apesar de uma alta nos custos de trabalho não contribuir para conter pressões inflacionistas.
É a meta mais baixa das duas últimas décadas e tem em conta que no quinquénio precedente os rendimentos do trabalho só acompanharam os aumentos de produtividade e do PIB em três das 27 províncias do país, segundo os dados oficiais.
Outro alvo do plano passa por uma redução do consumo de energia de 16 % por unidade de PIB essencial para obviar à depredação ambiental provocada pelo excessivo recurso ao carvão (70% do consumo de energia na China) e, subsidiariamente, pela diminuição das importações de hidrocarbonetos.
Partido e excluídos
O objectivo de incremento do consumo interno, que caiu de 45% do PIB para 35% na última década, confronta-se, no entanto, com uma rudimentar rede de saúde, assistência e segurança sociais razão principal das elevadas taxas de aforro que rondam 30% dos rendimentos familiares.
O envelhecimento da população realça estas carências.
Projecções da ONU, na variante intermédia, cifram para meados da próxima década em 280 milhões o número de chineses com 65 anos ou mais, ou seja um em cada cinco habitantes.
O plano quinquenal não apresenta soluções inovadoras nesta área, enquanto a estimativa das despesas com o sector de saúde representa apenas 0,4% do PIB a confirmar-se as expectativas de um crescimento de 8% previsto para este ano.
O governo de Pequim apesar de referir aumentos de subsídios para famílias de menores rendimentos é omisso quanto a custos orçamentais que estarão balizados pelo objectivo do défice orçamental não exceder em 2011 os 2% do PIB.
De fora ficam ainda 221 milhões de chineses que as estatísticas de Pequim consideram "mão-de-obra flutuante", ou seja, população migrante em busca de trabalho sem os obrigatórios certificados de residência.
A liderança colectiva no Partido Comunista está em vias de garantir com êxito o processo particularmente complicado de sucessão de líderes, mas ainda não deu provas de capacidade para definir novas estratégias e mudar de rumo ante abalos inesperados.
O futuro chefe do partido e do estado, Xi Jinpiang, e o provável próximo primeiro-ministro, Li Leqiang, serão os legatários de uma estratégia que garantiu a sucessão consensual da liderança política depois das convulsões de 1989.
Características chinesas
"Socialismo com características chinesas" tornou-se o chavão oficial para definir um sistema em que o controlo indisputado do partido sobre o estado assenta a sua legitimidade na prossecução de um crescimento económico capaz de prover uma melhoria contínua das condições de vida.
Na ausência de pluralismo político e liberdade de expressão a ideologia do crescimento económico ininterrupto, a par do nacionalismo, subsiste como razão de estado inquestionável que obriga à aquiescência dos cidadãos.
A matriz da ideologia do poder tem a sua expressão na alocação e redistribuição de recursos que o partido define no plano quinquenal, o décimo segundo desde 1953.
O plano em aprovação rege-se pelas mesmas linhas das "directivas gerais" para 2006/2010 que tinham assumido a impossibilidade de prosseguir um modelo económico assente em exportações com escassa incorporação tecnológica e insustentáveis custos ambientais.
O objectivo de crescimento de 7,5% do quinquénio precedente acabou por ser ultrapassado, cifrando-se em 11,1%, mas a "Sociedade Harmoniosa" prometida pelo presidente Hu Jintao viu acentuar-se a desigualdade social.
Desigualdade e contestação
Na China o coeficiente Gini - do 0 da igualdade perfeita de rendimentos a 1 na desigualdade máxima de concentração individual total de riqueza em detrimento dos demais - passou no socialismo de miséria maoísta de 0,28 (ou provavelmente menos dado que as estatísticas não são fidedignas) a 0,5 na altura em que Pequim se assume como a segunda maior economia do planeta.
Para a maioria da população, sobretudo de etnia Han, enquanto se mantiverem credíveis as expectativas de melhoria da sua situação social é possível que a contestação -- desde que as autoridades dêem a entender com um mínimo de credibilidade a sua disponibilidade para atenderem a queixas pontuais - possa ser contida dentro dos limites do tolerável para o regime, ainda que as assimetrias regionais possam deitar tudo a perder.
Apesar de protestos e greves terem vindo a aumentar na última década o consenso social - abalado, no entanto, pela contestação ideológica de minorias intelectuais e activistas como o Prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiabao - desejado pelo Partido Comunista tem-se mantido, não obstante os riscos de dissensão étnica, agravada pelos diferenciais de rendimento, no Tibete e Xinjiang.
O primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou como objectivo quinquenal um aumento dos rendimentos equivalente à taxa desejada de 7% de crescimento económico essencialmente por via da contenção da inflação (5% é a previsão para 2011), apesar de uma alta nos custos de trabalho não contribuir para conter pressões inflacionistas.
É a meta mais baixa das duas últimas décadas e tem em conta que no quinquénio precedente os rendimentos do trabalho só acompanharam os aumentos de produtividade e do PIB em três das 27 províncias do país, segundo os dados oficiais.
Outro alvo do plano passa por uma redução do consumo de energia de 16 % por unidade de PIB essencial para obviar à depredação ambiental provocada pelo excessivo recurso ao carvão (70% do consumo de energia na China) e, subsidiariamente, pela diminuição das importações de hidrocarbonetos.
Partido e excluídos
O objectivo de incremento do consumo interno, que caiu de 45% do PIB para 35% na última década, confronta-se, no entanto, com uma rudimentar rede de saúde, assistência e segurança sociais razão principal das elevadas taxas de aforro que rondam 30% dos rendimentos familiares.
O envelhecimento da população realça estas carências.
Projecções da ONU, na variante intermédia, cifram para meados da próxima década em 280 milhões o número de chineses com 65 anos ou mais, ou seja um em cada cinco habitantes.
O plano quinquenal não apresenta soluções inovadoras nesta área, enquanto a estimativa das despesas com o sector de saúde representa apenas 0,4% do PIB a confirmar-se as expectativas de um crescimento de 8% previsto para este ano.
O governo de Pequim apesar de referir aumentos de subsídios para famílias de menores rendimentos é omisso quanto a custos orçamentais que estarão balizados pelo objectivo do défice orçamental não exceder em 2011 os 2% do PIB.
De fora ficam ainda 221 milhões de chineses que as estatísticas de Pequim consideram "mão-de-obra flutuante", ou seja, população migrante em busca de trabalho sem os obrigatórios certificados de residência.
A liderança colectiva no Partido Comunista está em vias de garantir com êxito o processo particularmente complicado de sucessão de líderes, mas ainda não deu provas de capacidade para definir novas estratégias e mudar de rumo ante abalos inesperados.
Jornal de Negócios
9 Março 2011
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