Chegou hoje ao fim o braço de ferro entre Portugal e Moçambique na Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
O governo de Maputo só no final de 2007 passara a controlar a administração da empresa, mas Lisboa manteve uma participação de 15%.
O diferendo sobre o valor da parte portuguesa no empreendimento arrastou-se, mas finalmente Lisboa acedeu a vender ao estado moçambicano sete e meio por cento da participação que ainda detinha.
O acordo que Passos Coelho e Armando Guebuza assinaram no Maputo prevê que Moçambique compre até 2014 o remanescente, os 7,5% que restam.
A transacção satisfaz o governo de Maputo que afirma contar com a barragem da província de Tete para obter financiamentos que permitam concluir a electrificação do país.
Maputo pretende também aumentar as vendas de energia a estados vizinhos além da África do Sul, o cliente por excelência desde o início da construção da barragem em 1969.
Para Lisboa, mesmo com a venda por preço abaixo do pretendido, fecha-se de vez um contencioso para abrir oportunidades de negócio a empresas portuguesas.
No caso do sector da energia a EDP e a REN, com seus sócios da China e do Omã, interessam-se por muitos projectos.
Discute-se a construção de uma linha de alta tensão de Cahora Bassa até ao Maputo e de uma segunda barragem no Vale do Zambeze.
A exploração gás natural e petróleo em Moçambique também apresenta perspectivas interessantes.
Vale o mesmo para hotelaria ou as cimenteiras, e a emigração portuguesa está em alta para a antiga colónia.
Mais de 25 mil portugueses andam por lá e descontando altos níveis de corrupção, falta de infra-estruturas e pessoal qualificado, tirando isso Moçambique é excelente para os negócios.
Até porque tem quase tudo por fazer e reconstruir.
Triste sina afinal.
Triste sina como a de tanta antiga colónia portuguesa.
O mundo num minuto / TSF
09 Abril 2012
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