quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cahora Bassa





   Chegou hoje ao fim o braço de ferro entre Portugal e Moçambique na Hidroeléctrica de Cahora Bassa.

   O governo de Maputo só no final de 2007 passara a controlar a administração da empresa, mas Lisboa manteve uma participação de 15%.

  O diferendo sobre o valor da parte portuguesa no empreendimento arrastou-se, mas finalmente Lisboa acedeu a vender ao estado moçambicano sete e meio por cento da participação que ainda detinha.

  O acordo que Passos Coelho e Armando Guebuza assinaram no Maputo prevê que Moçambique compre até 2014 o remanescente, os 7,5% que restam.

  A transacção satisfaz o governo de Maputo que afirma contar com a barragem da província de Tete para obter financiamentos que permitam concluir a electrificação do país.

   Maputo pretende também aumentar as vendas de energia a estados vizinhos além da África do Sul, o cliente por excelência desde o início da construção da barragem em 1969.

   Para Lisboa, mesmo com a venda por preço abaixo do pretendido, fecha-se de vez um contencioso para abrir oportunidades de negócio a empresas portuguesas.

   No caso do sector da energia a EDP e a REN, com seus sócios da China e do Omã, interessam-se por muitos projectos.

   Discute-se a construção de uma linha de alta tensão de Cahora Bassa até ao Maputo e de uma segunda barragem no Vale do Zambeze.

   A exploração gás natural e petróleo em Moçambique também apresenta perspectivas interessantes.

   Vale o mesmo para hotelaria ou as cimenteiras, e a emigração portuguesa está em alta para a antiga colónia.

   Mais de 25 mil portugueses andam por lá e descontando altos níveis de corrupção, falta de infra-estruturas e pessoal qualificado, tirando isso Moçambique é excelente para os negócios.

   Até porque tem quase tudo por fazer e reconstruir.

  Triste sina afinal.

  Triste sina como a de tanta antiga colónia portuguesa.

O mundo num minuto / TSF
09 Abril 2012

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