quinta-feira, 23 de agosto de 2012

De volta a Angola




Armando Cruz Neto - MPLA - (esq.) Abreu "Kamorteiro" -UNITA  



   Faz hoje 10 anos, em Luena, na capital do Moxico, as chefias militares do Mpla e da Unita assinavam um acordo de cessar-fogo que ponha fim à guerra civil.

  No final de Fevereiro Jonas Savimbi fora emboscado e morto em Lucusse também no Moxico, na grande província do Leste.

   A guerra estava definitivamente perdida para a Unita.

   À parte incidentes esporádicos em Cabinda, Angola passou a viver em paz.

   Poucos se impressionam com alguns massacres que vão ocorrendo nas zonas de garimpo de diamantes nas Lundas.

   Na ostentação típica de novos ricos as elites angolanas gozam as fortunas que o poder alimenta.

  Ao cheiro dos negócios que as rendas do petróleo e dos diamantes sustentam o português ruma em força de volta a Angola.

   Lá chegado descobre que, de Washinton a Pequim, Luanda conta agora com muitos outros parceiros poderosos na sua qualidade de potência regional influente e segundo maior produtor africano de petróleo.

  Portugal oferece, no entanto, uma vantagem extraordinária: é o país ideal para investir proventos imensos de origem incerta.

   De resto, a nível internacional o cunho autoritário do regime e a corrupção institucional não arranham consciências.

   Teme-se que possam vir a gerar instabilidade política ou façam sangrar feridas dos anos de guerra, mas, por enquanto, é deixar correr o marfim.

   Investimentos de novos ricos e de parceiros estrangeiros começaram a orientar-se para a agricultura, pecuária, pescas, sectores que continuam muito aquém do seu potencial.

   Entre 18 milhões de angolanos metade ainda subsiste na pobreza, apesar da situação ser incomparavelmente melhor do que nos anos de guerra civil.

  A mortalidade infantil diminuiu, mas Angola ainda apresenta dos piores índices de saúde do mundo e níveis de educação rudimentares.

  A abertura de novas estradas, a recuperação de portos, tudo impressiona.

  Também impressiona e muito o cultivo da língua portuguesa porque é a língua de união nacional.

  Por isso cultiva-se o português com cuidados que por cá se ignoram.

  Numa década de paz Angola prosperou, mas ficou aquém do que poderia ter conseguido se apostasse mais no combate à pobreza.

  O presidente Eduardo dos Santos é louvado e enaltecido, os críticos mal se fazem ouvir.

  Há um preço exorbitante a pagar, mas a paz é hoje o que cala mais fundo no coração dos angolanos.

O mundo num minuto / TSF
04 Abril 2012

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