Christian Wulff
2010-2012
O único poder com que conta o presidente da república federal alemã é o seu próprio exemplo moral.
A lisura de conduta é essencial para que o presidente seja respeitado e ouvido sobretudo porque o seu estaturo é essencialmente cerimonial.
Alguns grandes presidentes da democracia alemã cumpriram esse papel de motivação e crítica moral de forma irrrepreensível e inspiradora.
Um dos melhores exemplos é Richard von Weizsacker, presidente entre 1984 e 1994, a década da reunificação alemã.
Mas, agora, a presidência atingiu o seu ponto mais baixo desde o pós-guerra.
Isto porque vai para dois anos quando deputados e representantes dos 16 estados se reuniram em Berlim para eleger o presidente acabou por prevalecer o interesse estritamente partidário.
Um dos candidatos era um homem de probidade irrepreensível.
Joachim Gauck um liberal independente, um resistente ao regime comunista na alemanha oriental.
Fora proposto pelos social-democratas e verdes e congregava largos apoios mesmo entre liberais e conservadores.
Angela Merkel, no entanto, para salvaguardar interesses do seu partido impôs a candidatura de Christian Wulff.
Um erro crasso.
O então vice-presidente dos conservadores e primeiro-ministro da Baixa Saxónia só conseguiu ser eleito à terceira volta pois muitos membros da coligação governamental recusaram apoiá-lo.
Christian Wulff demitiu-se sob o peso de acusações de ligações pouco claras a diversos empresários, favores diversos que recebeu de amigos ricos, e tentativas de pressionar a imprensa para escamotear as alegações.
Sai sem honra, nem glória, mas à sua maneira deixa um exemplo, reitera um princípio: o único poder com que conta o presidente da república federal alemã é o seu próprio exemplo moral.
O mundo num minuto / TSF
17 Fevereiro 2012
http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917506&audio_id=2312310
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