Isabel II renovou hoje o compromisso de serviço para com o seu povo e assim arrancaram os festejos dos 60 anos de ascensão ao trono. Isabel II, à beira dos 86 anos, está em vias de ultrapassar o recorde da sua trisavó, a rainha vitória. Mas não poderia ser mais diferente o destino das duas mulheres. Vitória reinou quase 64 anos e ao morrer, em 1901, era soberana do maior império do mundo. Isabel, pelo contrário, assistiu à fase final do desmembramento da potência imperial. No ocaso do seu reinado ainda terá pela frente um referendo sobre a independência da Escócia que poderá resultar na dissolução do reino unido da grã-bretanha fundado no início do século 18. Isabel II soube sempre adaptar-se. Num reinado marcado pela
omnipresença da televisão conseguiu um equilíbrio difícil entre a distância do trono e a encenação da comunhão popular. Só, por uma vez, em 1997, quando diana de gales morreu, só então Isabel errou clamorosamente na apreciação do chamado sentimento popular. Mas Isabel II conseguiu emendar a mão. Uma década depois o filme “a rainha” viria a recriar esse Verão de terror e contrição da monarquia. Ironicamente, Helen Mirren uma das maiores actrizes inglesas, retrato perfeito da mulher emancipada, do desprezo pela aristrocracia e de tanta mudança que ocorrera na grã-bretanha do pós-guerra, haveria de ser logo Helen Mirren a encarnar com raro brilhantismo a personagem de uma rainha atormentada e desorientada. Passou esse ano horrível e se Carlos o seu herdeiro imediato não colhe simpatias já o neto Guilherme surge como uma aposta segura da monarquia. É certo que o sucessor de Isabel II dificilmente continuará a ser monarca constitucional de 16 nações soberanas, mas irá receber de sua mãe ou de sua avô um trono ainda prestigiado. Quem lhe suceder só a poderá louvar pelo sentido de estado e do dever. Ante controvérsias e mudanças que tantas vezes a devem ter amargurado Isabel II soube manter a pose e a dignidade. Cumpriu sempre o essencial e preservou a monarquia, a firma, a empresa, como se diz na gíria pela Grã-Bretanha. Todos reconhecem que Isabel foi, é, e, provavelmente, ainda será por mais alguns bons anos a senhora incontestada à frente da firma. Uma profissional do mais alto gabarito.
O mundo num minuto / TSF
06 Fevereiro 2012
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