quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Manuel Fraga Irribarne






Villalba 1922 - Madrid 2012

   Manuel Fraga Irribarne nunca chegou governar Espanha, mas fez política como poucos.

   Na hora da morte é recordado como um homem de estado.

  Jovem académico de Direito Fraga Irribarne iniciou a sua carreira ao serviço de Franco nos anos 50.

  Algumas veleidades de moderação política deram-lhe destaque entre as gentes de um regime soturno e em 1962, tinha 40 anos, foi nomeado ministro da Informação e Turismo.

   Fraga tornou-se então numa das caras da modernização.

   Promoveu a nascente indústria de turismo, deu a cara pelo aligeiramento da censura prévia e também defendeu a repressão mais brutal de opositores ao franquismo.

   Fez inimigos no seio do regime e no confronto com os adversários do Opus Dei perdeu.

   Acabou demitido em 1969.

   Nas intrigas dos candidatos à sucessão de Franco conseguiria em 1973 voltar à ribalta: é nomeado embaixador em Londres.

   Depois da morte de Franco, em 1975, será vice-primeiro-ministro e ministro do interior no primeiro governo do rei Juan Carlos chefiado por Arias Navarro.

  Velha cara da abertura controlada do franquismo, muito marcado pela polémica, Fraga viu a sua imensa ambição cair por terra quando no Verão de 1976 o rei guinou ao centro e escolheu Adolfo Suárez para liderar um novo governo, desta feita claramente apostado na democratização.

   A juventude de Suárez e o seu brilhantismo na gestão de uma dificílima transição remeteram Fraga para a alas da direita mais tradicionalista e conservadora.

   Irribarne funda a Aliança Popular, aceita os pressupostos de um estado democrático, recusa renegar a herança franquista, mas queda-se remetido a uma oposição sem grande peso político.

   Só em 1982 quando o centro-direita de Suárez cede ante os socialistas de Felipe Gonzalez, só então consegue Fraga Irribarne o estatuto de líder da oposição.

    Mas para ele já era tarde.

   Em 1989 a aliança transforma-se no Partido Popular e Fraga cede a liderança a José Maria Aznar.

   Retorna à Galiza natal, convertido às virtudes do regionalismo.

   Assume em 1990 a chefia da Junta de Vigo.

   Sempre polémico acaba manchado pela péssima gestão da crise do afundamento do petroleiro Prestige em 2002, mas só deixará o governo regional em 2005.

   Depois, restar-lhe-á um lugar no Senado e a presidência honorífica do partido que agora governa de novo Espanha.

   Manuel Fraga Irribarne ao morrer em Madrid aos 89 anos deixa pelo lado bom de décadas de política o contributo para a adaptação de boa parte da direita franquista à democracia, mas ele, lá no fundo, falhou a ambição maior.

   Foi um perdedor.

  Nunca chegou a governar Espanha, nunca chegou ao Palácio da Moncloa.

O mundo num minuto / TSF
16 Janeiro 2012




Sem comentários:

Enviar um comentário