Villalba 1922 - Madrid 2012
Manuel Fraga Irribarne nunca chegou governar Espanha, mas fez política como poucos.
Na hora da morte é recordado como um homem de estado.
Jovem académico de Direito Fraga Irribarne iniciou a sua carreira ao serviço de Franco nos anos 50.
Algumas veleidades de moderação política deram-lhe destaque entre as gentes de um regime soturno e em 1962, tinha 40 anos, foi nomeado ministro da Informação e Turismo.
Fraga tornou-se então numa das caras da modernização.
Promoveu a nascente indústria de turismo, deu a cara pelo aligeiramento da censura prévia e também defendeu a repressão mais brutal de opositores ao franquismo.
Fez inimigos no seio do regime e no confronto com os adversários do Opus Dei perdeu.
Acabou demitido em 1969.
Nas intrigas dos candidatos à sucessão de Franco conseguiria em 1973 voltar à ribalta: é nomeado embaixador em Londres.
Depois da morte de Franco, em 1975, será vice-primeiro-ministro e ministro do interior no primeiro governo do rei Juan Carlos chefiado por Arias Navarro.
Velha cara da abertura controlada do franquismo, muito marcado pela polémica, Fraga viu a sua imensa ambição cair por terra quando no Verão de 1976 o rei guinou ao centro e escolheu Adolfo Suárez para liderar um novo governo, desta feita claramente apostado na democratização.
A juventude de Suárez e o seu brilhantismo na gestão de uma dificílima transição remeteram Fraga para a alas da direita mais tradicionalista e conservadora.
Irribarne funda a Aliança Popular, aceita os pressupostos de um estado democrático, recusa renegar a herança franquista, mas queda-se remetido a uma oposição sem grande peso político.
Só em 1982 quando o centro-direita de Suárez cede ante os socialistas de Felipe Gonzalez, só então consegue Fraga Irribarne o estatuto de líder da oposição.
Mas para ele já era tarde.
Em 1989 a aliança transforma-se no Partido Popular e Fraga cede a liderança a José Maria Aznar.
Retorna à Galiza natal, convertido às virtudes do regionalismo.
Assume em 1990 a chefia da Junta de Vigo.
Sempre polémico acaba manchado pela péssima gestão da crise do afundamento do petroleiro Prestige em 2002, mas só deixará o governo regional em 2005.
Depois, restar-lhe-á um lugar no Senado e a presidência honorífica do partido que agora governa de novo Espanha.
Manuel Fraga Irribarne ao morrer em Madrid aos 89 anos deixa pelo lado bom de décadas de política o contributo para a adaptação de boa parte da direita franquista à democracia, mas ele, lá no fundo, falhou a ambição maior.
Foi um perdedor.
Nunca chegou a governar Espanha, nunca chegou ao Palácio da Moncloa.
Na hora da morte é recordado como um homem de estado.
Jovem académico de Direito Fraga Irribarne iniciou a sua carreira ao serviço de Franco nos anos 50.
Algumas veleidades de moderação política deram-lhe destaque entre as gentes de um regime soturno e em 1962, tinha 40 anos, foi nomeado ministro da Informação e Turismo.
Fraga tornou-se então numa das caras da modernização.
Promoveu a nascente indústria de turismo, deu a cara pelo aligeiramento da censura prévia e também defendeu a repressão mais brutal de opositores ao franquismo.
Fez inimigos no seio do regime e no confronto com os adversários do Opus Dei perdeu.
Acabou demitido em 1969.
Nas intrigas dos candidatos à sucessão de Franco conseguiria em 1973 voltar à ribalta: é nomeado embaixador em Londres.
Depois da morte de Franco, em 1975, será vice-primeiro-ministro e ministro do interior no primeiro governo do rei Juan Carlos chefiado por Arias Navarro.
Velha cara da abertura controlada do franquismo, muito marcado pela polémica, Fraga viu a sua imensa ambição cair por terra quando no Verão de 1976 o rei guinou ao centro e escolheu Adolfo Suárez para liderar um novo governo, desta feita claramente apostado na democratização.
A juventude de Suárez e o seu brilhantismo na gestão de uma dificílima transição remeteram Fraga para a alas da direita mais tradicionalista e conservadora.
Irribarne funda a Aliança Popular, aceita os pressupostos de um estado democrático, recusa renegar a herança franquista, mas queda-se remetido a uma oposição sem grande peso político.
Só em 1982 quando o centro-direita de Suárez cede ante os socialistas de Felipe Gonzalez, só então consegue Fraga Irribarne o estatuto de líder da oposição.
Mas para ele já era tarde.
Em 1989 a aliança transforma-se no Partido Popular e Fraga cede a liderança a José Maria Aznar.
Retorna à Galiza natal, convertido às virtudes do regionalismo.
Assume em 1990 a chefia da Junta de Vigo.
Sempre polémico acaba manchado pela péssima gestão da crise do afundamento do petroleiro Prestige em 2002, mas só deixará o governo regional em 2005.
Depois, restar-lhe-á um lugar no Senado e a presidência honorífica do partido que agora governa de novo Espanha.
Manuel Fraga Irribarne ao morrer em Madrid aos 89 anos deixa pelo lado bom de décadas de política o contributo para a adaptação de boa parte da direita franquista à democracia, mas ele, lá no fundo, falhou a ambição maior.
Foi um perdedor.
Nunca chegou a governar Espanha, nunca chegou ao Palácio da Moncloa.
O mundo num minuto / TSF
16 Janeiro 2012
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