O Jialong tem capacidade para mergulhar até 7000 metros de profundidade, batendo assim o submersível japonês Shinkai 6500 que conforme o nome indica consegue chegar aos 6500 metros de profundidade e é o modelo mais avançado em todo o mundo, superando os rivais russo, norte-americanos e franceses.
A exemplo dos russos, que em Agosto de 2007 colocaram uma bandeira no leito de uma zona contestada do Oceano Ártico, também os chineses anunciaram ter mergulhado a 3759 metros para cravar a sua bandeira nas profundezas do Mar do Sul da China.
O submersível Jiaolong, em honra do mítico dragão das águas, com três técnicos a bordo do Centro de Pesquisa Científica de Construção Naval e apoio logístico da Marinha chinesa, efectou o seu mergulho em Julho perto de águas territoriais das Filipinas, mas o êxito do teste só foi divulgado no final de Agosto.
O Jialong tem capacidade para mergulhar até 7000 metros de profundidade, batendo assim o submersível japonês Shinkai 6500 que conforme o nome indica consegue chegar aos 6500 metros de profundidade e é o modelo mais avançado em todo o mundo, superando os rivais russo, norte-americanos e franceses, asseverou a maior parte da imprensa.
As revistas de oceonagrafia e os institutos especializados rectificaram de imediato estes dados sem que lhes tenha sido prestada a atenção devida, mas já lá vamos.
Os testes do Jialong começaram o ano passado e em 2011 o submersível deverá atingir os 5000 metros de profundidade antes de em 2012 testar a sua capacidade máxima.
Ao chegar às páginas de "The New York Times", precisamente no fatídico dia 11 de Setembro, quase duas semanas depois de ter sido notícia em Hong Kong e nos órgãos oficiais chineses, a novidade sobre os testes do Jialong suscitou de imediato comentários contraditórios sobre as reivindicações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China e o crescente poderio da marinha de guerra chinesa.
Aos alertas sobre as ambições da China para explorar riquezas minerais nos leitos dos oceanos, além do alarme sobre o risco de Pequim poder vir a obter informação classificada espiando cabos submarinos ou recuperando material militar de outros países, juntaram-se as lamentações sobre a perda de liderança dos Estados Unidos na investigação de ponta.
As litanias dos pessimistas, deprimidos pela forma como os Estados Unidos cedem passo à China na investigação de energias alternativas, designadamente painéis solares, ignorou mesmo os feitos tecnológicos de uma das principais instituições de estudos oceanográficos do país.
O "Woods Hole Institute" de Massachusetts desenvolveu um submersível não-tripulado para exploração de profundidades além dos 4000 metros.
O Nereus, neste caso baptizado em honra do senhor da águas do Mar Egeu da mitologia grega, em Maio do ano passado mergulhou a 10 092 metros na Fossa da Marianas e, ao custo de 8 milhões de dólares por unidade, não presentemente rival.
Afinal, mesmo nas profundezas dos oceanos, nem tudo está perdido para os Estados Unidos.
AS ÁGUAS DO ÍNDICO
Em Nova Delhi agravou-se, entretanto, a preocupação com mais um desaire na disputa estratégia com Pequim.
No contencioso contam-se disputas fronteiriças com a China nos contrafortes dos Himalaias, o apoio de Pequim aos projectos nucleares civis do Paquistão e o risco de agravamento de tensões quando se iniciar o processo de reincarnação do Dalai Lama, mas para a Índia o mais assustador nos últimos anos tem sido a crescente presença chinesa no Oceano Índico.
Em Julho a Índia recebeu o líder da junta militar da Birmânia, ignorou protestos contra o regime ditatorial do general Than Shwe, assinou acordos de cooperação económica e protocolos de segurança contra movimentos separatistas dos estados de Nagaland, Manipur e Mizoran, além de obter novas promessas de acesso ao gás natural que irá ser extraído no Golfo de Bengala.
Pequim facturou, no entanto, muito mais ao receber este mês o general Shwe.
Tal como a Índia a China tomou nota da convocação de eleições para Novembro pela junta e não contestou os planos dos militares para se perpetuarem no poder.
Para trás ficaram também os desentendimentos que resultaram da fuga para a China de mais de 30 mil refugiados na sequência de uma ofensiva militar em Agosto de 2009 contra guerrilheiros de etnia Wa, Kachin, Shan e Kokang.
Pequim comprometeu-se a controlar os separatistas dispersos ao longo da fronteira com Yunnan que combatem os militares de Naypyidaw.
Garantida a necessária estabilidade fronteiriça pode continuar a avançar a construção de oleodutos e gasodutos do porto de Kyaukpru até à província de Yunan.
O volume previsto de compras chinesas através destes oleodutos e gasodutos está estimado em 22 milhões de toneladas de crude e 12 mil milhões de metros cúbicos de gás natural por ano.
De resto empresas chinesas já investiram este ano na Birmânia mais de 8 mil milhões dólares em projectos ligados sobretudo ao sector da energia.
Em matéria de acesso aos recursos naturais da Birmânia a China bate por completo a Índia.
O pior para os indianos é, contudo, a cooperação naval entre Pequim e a junta militar.
Dois navios de guerra chineses aportaram este mês, pela primeira vez, num porto da Birmânia, perto de Rangoon, na viagem de retorno de missões anti-pirataria ao largo da Somália.
A China coopera na construção de diversos portos de águas profundas na Birmânia e, face às apreensões de Nova Delhi, argumenta pretender apenas vir a utilizar essas instalações para fins comerciais.
Gás natural ou petróleo importados do Golfo Pérsico ou da África Ocidental poderão ser canalizados através dos portos birmaneses para os oleodutos e gasodutos ligados a Yunnan, permitindo encurtar as viagens entre seis a sete dias ao eliminarem a necessidade de utilizar a rota dos Estreitos de Malaca.
Para a Índia o que está em curso é a concretização de estratégia de presença naval chinesa no Índico que vai muito além da vertente comercial.
Pequim não só investe na construção ou requalificação de portos na Birmânia, mas também no Bangladesh, em Chittagong, no Paquistão, em Gwadar, e este ano o governo do Sri Lanka acordou com Pequim a reconstrução do porto de Hambatota.
A Índia desespera e a China evoca o grande almirante Zheng He que no início do século XV chegou a Ormuz e Melinde.
HOJEMACAU
16 Setembro 2010
http://hojemacau.com.mo/?p=2521
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