A revista norte-americana Time recorreu a partir de 1927 a um artifício noticioso de grande futuro. Em Dezembro passou a nomear o homem do ano, mas isto porque tinha falhado a capa com charles lindberg pela sua travessia aérea de nova iorque a paris em maio de 27. A partir de então foram consagradas pelo seu impacto positivo ou negativo personalidades tão diversas quanto ghandi, o presidente franklin roosevelt, ou hitler e umas poucas mulheres incluindo a rainha isabel segunda ou a presidente filipina corazon aquino. Entidades colectivas como o soldado norte-americano em 2003, ano da invasão do iraque, ou o estranho você mesmo de 2006 assinalando a importância do uso generalizado da Internet também constam nas honrarias da revista de nova iorque que em 1999 selou o pacote designando albert einstein como a pessoa do século. A nomeação é agora denominada a pessoa do ano para não ofender susceptibilidades femininas e continua a ser notícia por reflectir a opinião de círculos influentes da comunicação social dos Estados Unidos. Este ano é a vez do manifestante. A time celebra o protesto e se a escolha parece acertada os argumentos são algo confusos. Dizem os jornalistas da revista que o manifestante ganhou de novo o estatuto de fazedor de história. Entre 1991 e este ano que se fina, o mundo, parece que todo o mundo da China à Argentina, teria alegadamente vivido uma era de melhoria inaudita do nível de vida. O crédito fácil teria ajudado a gerar a apatia, Os protestos de rua e as grandes manifestações tornaram-se obsoletas, ineficazes, irrelevantes. Agora tudo mudou com as revoltas da Tunísia ao Egipto, mudou tudo pelo exemplo das manifestações dos indignados de Madrid, dos exasperados de Atenas ou dos ocupantes de parques em Nova Iorque. São jovens, com estudos e da classe média que se lançam na vanguarda do protesto que leva à mudança sempre de pendor democrático. É lírico e dá uma boa capa. Só que uma análise tão vesga que confude todo, que mete tudo no mesmo saco até arrepia. Porque esta escolha da Time é significativa. Muito jornalista, analista e político dos Estados Unidos pensa nestes termos e depois depara com surpresas e imensas esperanças a cada esquina com consequências desastradas para todo o mundo. Já agora, por cá, não tem muito que saber: a pessoa do ano é irremediavelmente o contribuinte. Seja desempregado ou pessoa com ocupação minimamente honesta está condenado a ser esmifrado até ao tutano.
O mundo num minuto / TSF
14 Dezembro 2011
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